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Férias para a mamãe

Férias para a mamãe

Ai, ai, ai… esse tipo de post sempre acaba dando um nó na garganta e uma dúvida do que deve, ou não,  ser compartilhado. Bem, blog é blog!

Estamos aqui para compartilhar experiências íntimas e particulares com o simples  objetivo de ajudar.

Eu passei por isso, você pode passar por isso, sua vizinha pode ter um problema parecido, ou simplesmente você pode dar mais valor para detalhes que fazem a diferença no seu dia-a-dia.

Ok, acho que esse post está um pouco confuso! Muitas ideias para compartilhar com vocês e não estou conseguindo manter o foco, rsss.

Eu sou aquele tipo de pessoa que não tem muita paciência,  vejo  primeiros os pontos negativos e depois os positivos, sou crítica e acho que, de certa forma, isso é positivo. Quando me “tornei” mãe, naturalmente minha paciência aumentou muitoo e com a Valentina sou infinitamente mais tolerante, mas tem dias que me sinto exausta com a rotina, fraldas, roupas para lavar, casa, marido,   etc, etc….

Tem dias que a Valentina fica super independente brincando com as coisinhas dela, mas às vezes ela quer ficar agarrada no meu colo o tempo todo e eu não consigo fazer absolutamente nada. Olha, já tentei conversar, brigar, brincar, observar porque ela fica assim. Acho que quando ela não dorme bem e já acorda com sono é o ponto critico, ela quer ficar deitada vendo desenho e eu tenho que estar agarrada com ela. Seu filho tem “cheirinho”amigo do berço, fraldinha ou algo que ele não larga? A minha filha tem e Eu, ou melhor, a minha mão, é o equivalente a essas coisinhas que a criança adota como “porto seguro”.

“Você anda intrigada com o fato de seu filho resmungar toda vez que você precisa lavar aquele coelho de pano pra lá de sujo de tanto ser arrastado pela casa, pelo parque e ir para o berço? É, de fato esses paninhos são objetos muito queridos para as crianças nessa faixa etária. Significa inconscientemente o seio da mãe. Com ele a criança se sente mais segura e tranquila, como se fosse um aconchego. Recebem até um nome pomposo: objeto transacional ou de transição. Por isso, não há motivos para tirá-lo. Não agora! Mas, se toda vez que o coelho vai para a lava-roupa e depois para o varal, seu filho não gosta e abra um berreiro muito grande, o jeito é chamá-lo para ajudar a lavar o trapinho e participar da limpeza. Se for o caso de substituí-lo, faça-o lentamente. Ou seja, deixe o paninho antigo com o novo. As chances de, com o tempo, ele transferir para o novo o que o outro representa pode ser grande, porque para a maioria das crianças o importante é o cheiro, que lhe é familiar. Só que essa tática nem sempre dá certo. E então resta à família sentar e espera a fase passar. Aos poucos, a criança troca o pano por outros objetos do coração, como um brinquedo. Incentivá-lo com outras brincadeiras pode ajudar a esquecer o coelho maltrapilho mais cedo. O ideal é que a criança abandone a idéia de ter um paninho até os 5 anos. Depois dessa idade, os interesses são outros como, por exemplo, o início da alfabetização. Se o pano persiste em fazer parte do cotidiano infantil, então uma conversa com um profissional sobre a continuidade dessa mania deve ser considerada. Já imaginou arrastar um mesmo paninho ou coelhinho por cinco anos seguidos? Só mesmo o Linus, das tirinhas do Snoopy.” (http://revistacrescer.globo.com/)

Nas últimas semanas eu estava me sentindo cansada, dormindo pouco, muitas ideias na cabeça e com vontade e coragem de viajar sem a pequena. Na segunda-feira, dia 01/07, foi meu aniver de 30 anos e resolvi aproveitar a ocasião. Passagens compradas, a Dinda pronta para ficar com Valentina por 4 dias, malas prontas e lá fomos nós… :)

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É preciso ter coragem, acho que não só para deixar o baby, mas para se permitir relaxar sem peso na consciência. Olha que eu passei dois meses viajando com a Valentina no final do ano passado (em breve um post/ viajando com crianças na Europa/Passaporte x documentos/ o que levar?), mas não foi fácil.

Poxa…as mães também são filhas de Deus!!

Durante a viagem, brincadeiras do meu marido porque eu iria virar uma “trintona” à parte , ele  olhou para mim e disse: “quanta coisa aconteceu na tua última década, hein?” E foi aí que eu parei para pensar….

Nesses últimos dez anos eu conheci meu marido, ganhei uma sobrinha linda, me formei, morei em NY por 2 anos, casei, fiz amigas para uma vida inteira, fiz MBA, conheci lugares fantásticos, tenho meu apê, ganhei um anjo chamado Valentina, perdi um anjo chamado mãe, me tornei mais frágil, mais tolerante, hoje eu tenho 30 anos, hoje eu sei dizer não, hoje eu tenho mais paciência, hoje eu tenho mais compaixão, hoje dou mais valor para enfermeiros, hoje penso duas vezes antes de ter um ataque de nervos, hoje eu amo mais, hoje eu tenho planos simples e ambiciosos, hoje eu quero ter outro filho, hoje eu amo esse blog, hoje eu tenho dúvidas e muitas certezas, hoje eu escolho as pessoas que fazem a diferença na minha vida, hoje dou valor para pessoas que tem atenção uma com as outras, hoje eu tomo chá, hoje eu tenho saudade de quem partiu, hoje eu tenho compaixão com os que sofrem, hoje eu julgo menos, hoje eu amo cebola, hoje eu sou mais eu!

Ufa! #momentoterapia

Retomando o post: Férias para as mamães

Queria compartilhar que foi ótimo sair da rotina, a Valentina ficou ótima com os Dindos (OK, eles são D+!), aproveitei a viagem para fazer refeições na santa paz (rss), compras com calma, fui a restaurantes e lugares deliciosos sem correr de uma lado para outro, não troquei fraldas, tomei banhos demorados, sai na night com o maridex e  na volta o nosso reencontro com a Valentina foi mega emocionante!

Dicas pessoais x banais :

  • Optei por não conversar com ela por Skype ou por outro meio de comunicação porque às vezes quando ela me vê acaba entrando em crise; :(
  •  Deixei a carteira do plano de saúde para possíveis problemas e o telefone do pediatra;
  • Fiz uma caixa com os brinquedos preferidos;
  • Optei por deixá-la com os Dindos porque ela está mega acostumada com eles e com a casa deles também;
  • Olhei a previsão do tempo para Floripa e fiz uma malinha com muitas roupas porque ela está em uma fase que usou x lavou.

Já estou começando a sonhar com a minha próxima escapada :) Se você pode viajar, siga em frente, eles sobrevivem sem nós (mãe x pais), se a grana está curta mude o planos, tire um dia, uma tarde, um final de semana para você e aproveite para fazer algo bacana,  coisas simples são capazes de recuperar nossa energia.

Sugestões:

  • Um dia de beleza;
  • Uma boa massagem;
  • Uma pousada na Ferrugem, Guarda ou Garopaba;
  • Uma Night com direito a dormir até tarde;
  • Uma jantinha em um lugar bacana.

Cuidem-se mamães… precisamos estar “inteiras” para cuidar dos nossos filhotes, bjs!!

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Farewell, dad!

Na semana passada, mais precisamente no dia 29 de novembro, perdi meu pai para o câncer. É estranho que o meu último post, que escrevi antes mesmo de saber que ele internaria no mesmo dia, trate do meu pai. Tivemos 4 bons anos para nos curtir desde que Hamilton Savi, meu pai, descobriu um câncer no intestino com metástases no fígado. O médico que o operou em uma cirurgia de emergência lhe deu 4, no máximo 6 meses de vida, mas a vida quis diferente e ele teve uma boa sobrevida de 4 anos. Nos dois primeiros anos eu e minha irmã nos revezávamos para cuidar dele, eu dormindo duas noites seguidas e a minha irmã uma, já que ela tinha/tem dois filhos pequenos, que eram ainda menores na época. Eu estava terminando o mestrado e não me custava ajudar a cuidar de um pai tão querido e atencioso.

Pai Jornal

Pai no DC de quinta-feira passada, dia 6, onde foi publicada uma matéria sobre a vida dele. Na foto, ele em Paris, curtindo a Europa que tanto amava.

Depois de dois anos, meu pai achava que não duraria muito e me pediu para viajar com ele para a Europa, meio que para se despedir do mundo em grande estilo. Fomos para Paris e Londres, duas cidades que ele ama de paixão. Eu, ele, minha sobrinha que estava com 12 anos e minha mãe embarcamos em dezembro de 2010 e lá, apesar de alguns probleminhas técnicos de saúde que ele teve, foi uma delícia e um sonho realizado. Novamente, o mundo tinha seus próprios planos e meu pai ficou muito bem até julho de 2011. Eu já estava grávida quando, neste mês, meu pai teve uma séria crise de encefalopatia hepática. Ele entrou em um estado catatônico muito estranho, não se comunicava, mas entendia o que os outros diziam, então conseguia comer e, com algum esforço, caminhar. Meus queridos tios entraram na jogada e nos ajudaram a cuidar dele. Aliás, meu pai se mudou para a casa da minha tia Raquel e lá ficou até março de 2012, quando se mudou para o Residencial Vida Nova, um lar para a terceira idade mais que maravilhoso e com uma equipe de primeira. Ainda quero escrever mais sobre esta experiência porque acredito que as pessoas têm uma ideia sobre lares para idosos que nem sempre bate com a realidade. Estava claro que ele estava em um lugar que, embora fosse simples para os padrões a que ele estava acostumado, é maravilhoso e extremamente humano. Meus tios realmente se esforçaram, dou todo o mérito a eles, mas meu pai já estava em um estágio da doença que, em família, acredito que se for possível pagar pela hospedagem do paciente em uma clínica, melhor. Meu pai começou a ter alguns distúrbios de personalidade depois que a encefalopatia hepática começou a se manifestar, então não era sempre fácil lidar com ele nessas horas. Ele ficava um pouco agressivo, demandava muito dos cuidadores, pedindo para ir ao banheiro de cinco em cinco minutos e ficando alterado quando seus desejos não eram atendidos prontamente. Em família, e digo isso porque eu confundi muito as coisas, é mais difícil processar essas manifestações de necessidades, mas em um ambiente preparado para doenças é mais fácil porque todos estão acostumados a isso. Lembro que da primeira vez que meu pai teve uma crise de agressividade, Eliana, a dona do Vida Nova, me ligou e contou o que havia acontecido. Eu, preocupada, perguntei “Ele vai ter que sair do Vida Nova?”, e ela me disse “Imagina, estamos acostumados, só estou contando o que aconteceu para vocês ficarem a par da situação”, ou seja, existe uma compreensão da doença que a família, por estar emocionalmente envolvida, nem sempre consegue ter. Aliás, digo isso não por causa dos meus tios, que, acredito, eram muito mais pacientes e capazes que eu, digo porque depois da crise de encefalopatia hepática, eu, grávida e em seguida com neném pequeno, nem sempre sabia lidar com as alterações de personalidade dele. Eu ficava triste, deprimida, preocupada, com raiva, impaciente, tudo junto e misturado. Eu, realmente, naquele/neste momento da minha vida em que estava me tornando mãe, queria o meu pai bem, participativo, curtindo a neta, me ajudando no processo de me tornar mãe, me ajudando a cuidar da pequena, participando das primeiras experiências, o primeiro cinema, a primeira fruta, o primeiro sorriso. Quando meu pai se recuperou da primeira vez da primeira crise de encefalopatia, olhou pra minha barriga e disse “A minha meta é conhecer a Alis. Depois disso, posso partir em paz”. E ele conheceu a netinha, curtiu a netinha até onde pôde, participou como foi possível e me ajudou dando valiosos conselhos sempre que estava lúcido e sempre, sempre, sempre me deu muito carinho e amor.

conselho 1

Em 2003, meu pai me deu o livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda e escreveu na dedicatória: “Melina, quem sabe escolher um livro nunca está só”.

Eu tive um pai maravilhoso e serei eternamente grata por todas as lições, todo o amor, a dedicação, a educação, as repreensões, os livros que ele me deu, os filmes a que assistimos juntos no cinema, os cappuccinos que tomamos juntos e que eram sempre regados a uma boa conversa, à força que ele teve para se manter vivo e bem (na medida do possível, como ele mesmo diria) para conhecer a Alis e ter seu papel de avô na vida desta pequena. “Saudade” é agora uma palavra eterna no meu vocabulário. Ainda bem que nasci no Brasil, onde ela existe.

No vídeo, grandpa Hamilton falando sobre sua experiência no Vida Nova com a netinha no colo!

PS: Eu faria tudo de novo!

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