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Dois insights: madrugada criativa e festa explosiva na escolinha

1. Ontem (hoje de madrugada, para ser mais precisa) eu tive dois insights. Acordei às 4 da manhã preocupada porque a Alis não tinha me chamado ainda. Sim, lá pelas 2 ou 3 da manhã, religiosamente, a pequena acorda pedindo “mama” ou para ir para a nossa cama – um drama, eu sei bem. Mas não posso dizer que odeio ou que é insuportável, só é cansativo e tenho tentado solucionar o caso. Mas o meu insight tem a ver com outra coisa: é impressionante como eu fico mais descansada só em saber que não tenho grandes pendências. Eu me transformo numa monstra estressada (exageeero) quando tenho trabalhos do doutorado para entregar, contas demais para pagar, eventos para participar. Mas agora que estou de férias [autoproclamadas] por duas semanas, relaxei de um jeito que seis horas de sono são suficientes. Minha conclusão é: largar o doutorado e viver em uma caverna para não precisar pagar contas! Iupi, estresse resolvido para o resto da vida! Mas ok, voltando para a realidade e encarando que estas não são soluções, vejo que preciso ser mais organizada e menos estressada. Não posso ter esses momentos de paz apenas quando as obrigações são cumpridas. Então fica registrada aqui a minha intenção de trabalhar a minha cabeça para levar as coisas não menos a sério, mas de uma forma mais prazerosa. E assim, foi prazeroso fazer os trabalhos do doutorado, foi mesmo. Um deles foi sobre a peça Othello, de Shakespeare; e o outro sobre o livro At the Full and Change of the Moon, da Dionne Brand: dois trabalhos inspiradíssimos de autores maravilhosos.

2. O segundo insight tem a ver com a tragédia cômica que foi o evento de final de ano na escola da A., que aconteceu ontem. Se eu contasse pra vocês que cheguei na escola, peguei a Alis na salinha dela, fui até a área de confraternização onde os pais estavam sentados em círculo com os filhos no colo e a Alis levantou-se e começou a dançar e bater palminhas no meio do círculo, vocês concluiriam que foi tudo lindo e que o evento foi um sucesso, certo? Errado. Quer dizer, foi lindo mesmo. Foi lindo ver a Alis super tranquila dançando, brincando e sorrindo, mas foi começar a tal da dinâmica entre os pais e alunos que a Alis teve um faniquito. Não foi uma manha, foi uma coisa que acometeu a menina e ela queria ir para casa, jogava a mensagem de final de ano que os pais trocaram entre si no chão… ela não estava feliz. Eu fiquei grilada, envergonhada até, porque sei que a Alis não é assim. Ela faz manha como toda criança, mas eu não tinha visto ainda uma manifestação tão pública de insatisfação. Tentei raciocinar que ela é a criança, eu sou a adulta, então, como agir? Fiz cara de paisagem para ver se a manha passava, consolei, fiz chantagem (não julguem, please, eu estava meio que testando todas as possibilidades), olhei para os pais com cara de desespero, até que ela relaxou e deu, fim de história. A dinâmica acabou e fomos todos para a área onde foi servida a comida. Ela brincou um pouco e fomos embora. Mas a história me incomodou depois, sabe? Fiquei pensando nos olhares que pensei ter recebido de alguns pais, de professores e tal, olhares do tipo “ai, que criança difícil”, “ela deve ser uma péssima mãe” e tal, olhares que eu nem sei se aconteceram mesmo, mas que fazem parte de um imaginário pessoal que te diz que você tem que ser uma mãe perfeita e ter todas as situações sob controle. E sabe o que? Eu não tenho todas as situações sob controle, e o que me incomodou ontem naquela hora já não me incomodava mais às 22h porque tive o insight (ahá, aqui ele está) de que eu não sou nem preciso ser perfeita, e a minha filha não será quem eu quero que ela seja, e se ela estiver com fome, cansada, mal humorada, vai fazer como eu faço e vai manifestar esse sentimento. Só que ela não tem a maturidade emocional que eu [acho que] tenho e tá se lixando para o que os pais dos amiguinhos ou os professores estão pensando dela ou de mim e das minhas artimanhas maternais. Então assim: eu tive um papo com a Alis depois da festinha. Foi um papo mesmo, de mãe pra filha, de amiga pra amiga, de humana para mini-humana. E sabe o que? Foi legal. Ela pediu desculpas, ficou uns 15 minutos puxando papo para ganhar pontos comigo e o resto do dia foi ótimo. Mais tarde, olhei a agenda da escola e vi que ela não tinha tomado café da tarde nem jantado, recusou as duas refeições: a coitada estava morrendo de fome e mau humorada, exatamente como a mãe dela fica quando está faminta. A fruta não cai muito longe do pé, não mesmo.

Beijo!

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Algumas Coisas

Fazendo o Gênero #10

Fazenddoogenero

Está rolando na UFSC o congresso Fazendo o Gênero 10, Desafios Atuais dos Feminismos. Começou ontem e vai até o dia 20 de setembro, sexta-feira. Fico com o maior orgulho da minha orientadora, que está na organização. Hoje assisti a um simpósio chamado “Configurações Literárias do Feminismo”. Estava bem interessante, mas tive que sair cedo para estudar (tenho uma apresentação para fazer para uma matéria na semana que vem). Amanhã vou ver duas mesas redondas, a que vai acontecer às 9h, Mídias, Discurso e Gênero; e a que vai acontecer às 19:30, Feminismos Latino-Americanos e os Debates Descoloniais: Possibilidades e Desafios (esta é com a minha orientadora).

Livros que li e estou lendo: e todos tratam de maternidade

Colagem livros

Estou fazendo uma matéria sobre as escritas de minorias e desde que a matéria começou já li 4 livros, são eles Incidentes da Vida de Uma Escrava, da Harriet Jacobs; In Search of Our Mothers’ Gardens, da Alice Walker; Amor (Beloved), da Toni Morrison, e agora estou lendo o At the Full and Change of the Moon, da Dionne Brand. Olha, vou te contar, QUE LIVROS!!! Todos eles tratam de escravidão e sobre a relação das mães com seus filhos (o da Alice Walker faz isso de forma diferente porque é um livro de ensaios). Que soco no estômago que é perceber como somos sortudas por podermos criar nosso filhos com toda essa dedicação que é possível hoje. Quando você lê um livro sobre uma escrava que sacrificou grande parte de quem ela é para ver os filhos crescerem fora da escravidão, percebe como a nossa memória é curta, como o mundo pode ser cruel com as pessoas, como a escravidão foi possivelmente a coisa mais horrorosa que a humanidade já inventou (a hierarquização das pessoas com base na cor da pele, tem coisa mais horrorosa?), você percebe o seu privilégio dentro da História, aquela com h maiúsculo mesmo. Todos os dias, depois de ler páginas desses livros, abracei a minha filha com todo o amor que pude juntar e agradeci por poder maternar assim, juntinha dela. Enquanto abraçava, pensava nessas mulheres que não puderam fazer isso e desejava por um passado diferente, coisa que foge do meu controle. Meu trabalho de final de semestre será sobre essa relação das mães com os filhos dentro da escravidão, depois comento mais sobre o assunto.

Duas leituras: Vogue de setembro ( #septemberissue ) e Elle de agosto

Vogueelle

Eu amo a Vogue, mas andava meio lenta pra comprar a revista porque olha… falta tempo mesmo, mas gostei do que vi e li. Eu comprei a Elle de agosto por causa da frase “o novo feminismo”. Eu basicamente queria ver qual era a da revista com essa frase estampada na capa. Pois bem, vou dizer que ainda não li e não sei do que se trata, só sei que gostei da carta da editora. Até o final da semana devo conseguir encontrar a matéria que fala sobre o tal novo feminismo, mas digo que fico levemente desconfortável com a ideia de feminismo em uma revista que fala sobre moda e prega um padrão de beleza inatingível (aliás, prioriza a beleza). Mas enfim, não cabe aqui julgar, eu mesma já fui editora de revista e sei que não é fácil casar assuntos mais complexos em publicações comerciais. Tá, mas mais um detalhe: a Vogue veio com a Vogue Kids, que está MUITO boa, gostosa de ler e folhear.

Pra fechar

photo

Uma foto minha com a FOFA da Alis, que já falava bastante, mas que agora forma frases, diz obrigada pra tudo (seguido de “de nada”), “piqueixo” pra pedir pão de queijo, “nananinanão” quando começo a cantar uma música e ela quer outra. Ela também ama usar saia, corre para se olhar no espelho quando faço a chuca no cabelo e  me acorda com abraços e beijos. Eu tô tão apaixonada por essa criaturinha que posso explodir a qualquer momentooo!

Beijo,

Mel

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