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Aprendendo a ter paciência e ser paciente

Oie,

Vou contar uma coisa para vocês, a minha filha é uma criança mega, ultra metódica.  Gente, estou passando um bocado por aqui com as manias da V..

Faz duas semanas que ela elaborou um kit de brinquedos e parece mais um kit de sobrevivência.

Vou explicar, tudo começou outro dia quando ela foi no salão porque eu precisava fazer uma escova e nesse momento ela percebeu a utilidade de uma bolsinha que ganhou com pente, espelho, escova, secador. Ok, logo ela começou a reproduzir tudo o que ela viu no salão com a barbie e a branca de neve, ou melhor, com a princesa e boneca da neve. Pois bem, ela adicionou  a essa bolsinha a mamadeira para as bonecas, roupas, bichinhos de madeira que fazem parte de um outro brinquedo e por toda a parte ela carrega esse kit. Não pode sumir nada que ela tem ataques e quando acorda a primeira coisa que ela fala quando abre o olho é: “cade as minhas princesas, bolsa, botas, mamadeira?” e por aí vai com o check list completo.

Parece tudo normal, mas ela tem um cuidado exagerado com esse kit e ela surta quando some alguma coisa. Está sempre me perguntando “cadê a bota da princesa”,  “a mamadeira” e por aí vai, mas ela sabe que está tudo na bolsa, eu mostro para ela e aí aos poucos ela vai se acalmando.

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Outro dia eu li um post no Blog Roteiro Baby Floripa e me identifiquei. Vou explicar, eu sou o tipo de pessoa que não tem paciência e tolerância com lerdeza. Quero tudo para ontem e às vezes até com a V. eu falo: ” vamos rápido, entra no carro, a mamãe está com pressa, agora temos que comer, agora isso, agora aquilo e aí fiquei pensando que muito possivelmente com essa correria frenética do dia- a-dia + minha personalidade, posso estar influenciando o comportamento dela. Olha só:

Estudos demonstram que crianças que desde pequenas são ensinadas a aguardar certo tempo para atingir seus objetivos crescem com maior capacidade de êxito em suas relações familiares, sociais e de trabalho.Mas, como ensinar esta competência tão importante para nossos filhos? Já falamos aqui da antecipação por uma data importante (http://goo.gl/nl3nQ), mas há outras formas de ajudar seus filhotes a serem pacientes. Ironicamente, você precisará trabalhar sua própria paciência para conseguir isso.
Pais impacientes costumam criar filhos impacientes. Se eu não espero por nada, como meu filho vai esperar?
Comece com coisas simples:
  1. Quando seu filho o chamar, diga a ele calmamente que escutou mas que ele tem que esperar um pouco. No começo, ele virá atrás de você mas, quando finalmente esperar alguns segundos, não espere que venha te chamar novamente, vá até ele e o atenda.
  2. Plante uma planta. Isso vai ensinar ao seu filho que as coisas seguem seu próprio ritmo e que é necessário trabalhar para consegui-las. Todos os dias reguem a plantinha e observem seu crescimento.
  3. Ensine que cada um tem a sua vez. Na hora de entrar em casa, de conversar, de jogar um jogo ou de entrar em um elevador, não pense que seu filho é pequeno demais. Faça com que ceda a vez e perceba que devemos esperar a nossa hora de exercer as atividades. Se você for a um estabelecimento que distribui senhas, é uma ótima oportunidade para explicar isso a seu filho.
  4. Ensine a contar até 10. Se seu filho já sabe contar até 10, quando ficar com raiva, por exemplo, faça sinal de calma para ele e ensine que deve contar até 10 devagar para se acalmar. Quando eles ainda não sabem contar, você pode dizer à criança para sentar em algum lugar e se acalmar. Explique pacientemente que você aguardará que isso aconteça. Renata Bermudez Konzen/Consultora Sosseguinho
 
Olha, eu vejo muito claramente que as crianças são muito diferentes  uma das outras, e que nascem com personalidade, mas também sei que eles reproduzem muito do nosso comportamento.A V. sempre está querendo fazer tudo o que eu faço, usa algumas palavras que eu utilizo e depois de ler esse post do Roteiro Baby Floripa eu realmente estou convencida que preciso fazer algumas mudanças no meu comportamento, porque não desejo que a V. seja impaciente como eu. Ufa! Vida de mãe não é moleza, agora vou ficar aqui pisando em ovos e tentando me moldar para ver se ela fica mais calma e começa a apresentar alguma mudança de comportamento. Depois conto para vocês os resultados. Bjs!!
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Arquivado em Vida de mãe

O Doping das Crianças

Gente, vale conferir esse artigo escrito por ELIANE BRUM

O que o aumento do consumo da “droga da obediência”, usada para o tratamento do chamado Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, revela sobre a medicalização da educação?

epoca

Clique na imagem e confira!

Bjs!

 

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por | setembro 17, 2013 · 2:00 PM

Desenhos para Imprimir, Colorir e Pintar

Olá!

De olho na previsão do tempo que promete uma semana chuvosa, separamos vários desenhos para colorir de diferentes temas…por aqui esse recurso ajuda a acalmar a pequena. Nada como aparecer com um desenho divertido em um daqueles momentos “difíceis”.

valeAlém de super divertido para seus filhos, colorir desenhos ainda ajuda os pequenos a desenvolver sua criatividade e coordenação motora. É um ótimo exercício de criatividade! Como eu sempre tenho que ir para o google procurar resolvi separar aqui algumas opções para facilitar a nossa vida. Confira a nossa seleção:

Agora se esses desenhos não foram suficientes (rssss, coloquei muitos heim pessoal?), confere esse site que sempre entro para pegar novidades:

link

Click na imagem e confira muitas opções para meninos&meninas

Ah! Se seu filhote já está grandinho o site http://www.colorirgratis.com/ é uma ótima opção!

Agora vem o desabafooooo: Fica a dica para os restaurantes  e estabelecimentos que não oferecem nenhuma estrutura para os pequenos, afinal giz de cera e papel não tem um custo relevante, não precisa de grandes investimentos e disponibilidade de espaços é só imprimir opções de desenhos e colocar giz de cera em um potinho. Olha, esse não era o tema no post, mas agora vou deixar claro que acho um absurdo os lugares que não oferecem nada para as crianças, poxa! Comprei essa mesinha de plástico (da 1 imagem) com duas cadeiras e não gastei R$ 50,00. Será que não dá para separar um dindim e investir pessoal? No último fim de semana optamos por ir almoçar no Barracuda em Fpolis. Nunca tínhamos ido e nossa decisão foi pautada exclusivamente no simples fato de querer comer na “santa paz”. Eles oferecem uma brinquedoteca e sei que não é todo estabelecimento que é Baby Friendly, ou que pode fazer uma brinquedoteca, mas existem formas simples de oferecer alguma opção de entretenimento e ainda agregar valor ao seu estabelecimento. Bem eu sou formada em Adm  e de olho nas estatísticas de famílias com crianças pequenas que vivem e migram todos os dias para Fpoli/SC em busca da qualidade de vida + porcentagem dessas famílias que fazem ao menos 1 refeição por dia fora de casa + porcentagem de famílias que comem fora nos finais de semana + mulheres em fase de licença maternidade que ficam igual barata tonta dentro de shopping ( eu até hj sou uma dessas), fica claro que esse é um baita nicho de mercado. Quando vamos  em algum lugar que oferece algum espaço para crianças, menu kids, que  realmente conseguimos comer e não engolir a comida e que tem trocador decente no banheiro o nosso nível de consumo é absurdamente maior. Pensem nisso e divulguem essa ideia!

Bjs!!

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Arquivado em Atividades para os pequenos, Desenvolvimento Infantil

Desenvolvimento infantil x Brinquedos

Olá! Gente os últimos dias foram tensos por aqui, a gripe pegou geral e desde quarta-feira a Valentina não vai para escola. Sendo assim, não dá para circular muito porque a imunidade tá baixa e a criança vira uma para-raio de virose (também não queremos prejudicar  os outros pimpolhos). Aí começa um drama chamado: entretenimento infantil.

Olha.. não é fácil! O mais engraçado é que temos muitos, mais muitos brinquedos eletrônicos por aqui, sabe aqueles que você aperta um botão aqui, outro ali e algo acontece. Definitivamente a Valentina não ama esses brinquedos. Ela gosta das coisas mais simples e eu curto muito isso. Se eu listasse para vocês os top 5 da semana seriam: bolinha de sabão, brincar com bonecas x mamadeiras, abrir e fechar potinhos, montar um quebra-cabeça de madeira com tema de animais e  assistir vídeos de animais (ah! ela também curte muito pintar).

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“Montar, colar, pintar, inventar, imaginar, fantasiar…o brinquedo pode ser qualquer coisa. Espiga de milho vira um visconde e uma lata de óleo pode virar um fórmula 1! Para a criança o brinquedo é sua relação com o mundo!
Por isso o bom brinquedo é aquele que estimula a autoconfiança e ajuda no desenvolvimento da linguagem e do pensamento. São aqueles capazes de aguçar a curiosidade e ajudar a criança a trabalhar a percepção e concentração, enquanto diverte. Um jogo pode ensinar a criança a se relacionar com os amigos e entender conceitos como ganhar, perder e competir. Um bom brinquedo é capaz de aperfeiçoar a coordenação motora, estimular a fala e a inteligência das crianças. Brinquedos de materiais naturais, como madeira, lã e papel criam uma relação mais próxima da criança com a natureza. O brinquedo é para brincar e aprender!” fonte 

Olha que 10 essa relação de brinquedos x idade  que o pessoal do Estimulando fez:

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Gostei muito dessa relação e na idade da minha filha eles enfatizam que chegou a hora de ensinar a organizar e recolher os brinquedos. Tenho tentado fazer isso por aqui e estamos começando a ter alguns avanços. Ah! já demos algumas sugestões aqui no blog (Férias de julho: brincadeiras para fazer com as crianças dentro de casa & Brincadeiras Sensoriais) de brincadeiras sensoriais e fica claro a importância do estimulo do tato nas brincadeiras.

Acredito, que seguindo essa “onda” surgiu a parceria entre o Sesc, e o Iguatemi Florianópolis  que traz aos seus clientes a mostra interativa “Brincadeiras de Madeira”, que utiliza peças feitas de madeira em vários tamanhos, espessuras, texturas e encaixes — tudo para criar um universo de diversão para crianças de 3 a 8 anos de idade.

madeiraOlha só que bacana:

Com brinquedos de diferentes tamanhos e texturas, a Mostra representa diferentes fases do desenvolvimento infantil. Formada por quatro grandes espaços de exploração, a Criação, o Faz de Conta, o Movimento e os Jogos, a Mostra representa aspectos distintos e complementares do desenvolvimento infantil. O projeto Ciranda Sesc, do qual a Mostra faz parte, circula pelo estado desde 2005 e propõe um mergulho no universo dos jogos e brincadeiras que atravessaram a barreira dos tempos e ajudam a traduzir, muitas vezes, o espírito de uma geração que está crescendo. Cada edição do projeto trabalha com um tipo específico de material, mas mantém a proposta de reviver brinquedos e brincadeiras mais tradicionais e educativas, com foco no desenvolvimento da coordenação motora durante a diversão da criança.

De acordo com o livro ( eu ainda não li, mas quero muito comprar! Achei o link dando uma pesquisada no google) “Brincadeiras Criativas Para o Seu Bebê”:

“por meio dos movimentos da criança, “é possível vislumbrar suas mudanças interiores, interpretá-las e dar a resposta apropriada”. Com o intuito de instigar os movimentos e gestos dos bebês, o livro recomenda brincadeiras com barquinhos, carrinhos, trenzinhos e outros objetos que os pequenos possam empurrar.”

Saiba Mais – Mostra interativa “Brincadeiras de Madeira”:

Data: 3 a 12/09, no Shopping Iguatemi

Local: Praça de Alimentação

Horário: 11h às 15 e das 18h às 21h (segunda a sexta-feira) e das 12h às 20h (sábados)

Não deixe de levar seu pequeno!  Demorei para postar devido aos últimos acontecimentos, bjs!

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O desenho e o desenvolvimento das crianças

Confere essa matéria da Revista Escola sobre como os rabiscos ganham complexidade conforme os pequenos crescem e, ao mesmo tempo, impulsionam seu desenvolvimento cognitivo e expressivo.

Reprodução/Agradecimento Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

“Sabia que eu sei desenhar um cavalo? Ele está fazendo cocô.”  “Vou desenhar aqui, que tem espaço vazio.”  “O cavalo ficou escondido debaixo disso tudo!” Joana, 3 anos – Reprodução/Agradecimento Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

No início, o que se vê é um emaranhado de linhas, traços leves, pontos e círculos, que, muitas vezes, se sobrepõem em várias demãos. Poucos anos depois, já se verifica uma cena complexa, com edifícios e figuras humanas detalhados. O desenho acompanha o desenvolvimento dos pequenos como uma espécie de radiografia. Nele, vê-se como se relacionam com a realidade e com os elementos de sua cultura e como traduzem essa percepção graficamente.

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Toda criança desenha. Pode ser com lápis e papel ou com caco de tijolo na parede. Agir com um riscador sobre um suporte é algo que ela aprende por imitação – ao ver os adultos escrevendo ou os irmãos desenhando, por exemplo. “Com a exploração de movimentos em papéis variados, ela adquire coordenação para desenhar”, explica Mirian Celeste Martins, especialista no ensino de arte e professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. A primeira relação da meninada com o desenho se dá, de fato, pelo movimento: o prazer de produzir um traço sobre o papel faz agir.

Os rabiscos realizados pelos menores, denominados garatujas, tiveram o sentido ampliado sob o olhar da pesquisadora norte-americana Rhoda Kellogg, que observou regularidades nessas produções abstratas (veja no topo da página o desenho de Joana, 3 anos, e sua explicação). Observando cerca de 300 mil produções, ela analisou principalmente a forma dos traçados (rabiscos básicos) e a maneira de ocupar o espaço do papel (modelos de implantação) até a entrada da criança no desenho figurativo, o que ocorre por volta dos 4 anos.

No período de produção de garatujas, ocorre uma importante exploração de suportes e instrumentos. A criança experimenta, por exemplo, desenhar nas paredes ou no chão e se interessa pelo efeito de diferentes materiais e formas de manipulá-los, como pressionar o marcador com força e fazer pontinhos. Essa atitude de experimentação tem valor indiscutível na opinião de Rhoda: “Para ela ‘ver é crer’ e o desenho se desenvolve com base nas observações que a criança realiza sobre sua própria ação gráfica”, ressalta Rosa Iavelberg, especialista em desenho e docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), no livro O Desenho Cultivado da Criança: Práticas e Formação de Educadores. Esse aprendizado durante a ação é frisado pela artista plástica e estudiosa Edith Derdyk: “O desenho se torna mais expressivo quando existe uma conjunção afinada entre mão, gesto e instrumento, de maneira que, ao desenhar, o pensamento se faz”.

De início, a criança desenha pelo prazer de riscar sobre o papel e pesquisa formas de ocupar a folha. Com o tempo, a criança busca registrar as coisas do mundo

Uma das principais funções do desenho no desenvolvimento infantil é a possibilidade que oferece de representação da realidade. Trazer os objetos vistos no mundo para o papel é uma forma de lidar com os elementos do dia a dia. “Quando a criança veste uma roupa da mãe, admite-se que ela esteja procurando entender o papel da mulher”, explica Maria Lúcia Batezat, especialista em Artes Visuais da Universidade Estadual de Santa Catarina (Udesc). “No desenho, ocorre a mesma coisa. A diferença é que ela não usa o corpo, mas a visualidade e a motricidade.” Esse processo caracteriza o desenhar como um jogo simbólico (veja abaixo o comentário de Yolanda, 5 anos, sobre seu desenho).

Reprodução/Agradecimento Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

“Esse aqui não é um coelho. Não me diga que é um coelho porque é um boi bebê. Eu estou fazendo uma galinha que foi botar ovo no mato. Quer dizer, uma menina que foi pegar plantas no mato para dar ao marido.” Yolanda, 5 anos

Muitos autores se debruçaram sobre as produções gráficas infantis, analisando e organizando-as em fases ou momentos conceituais. Embora trabalhem com concepções diferentes e tenham chegado a classificações diversas, é possível estabelecer pontos em comum entre as evolutivas que estabelecem. Pesquisadores como Georges-Henri Luquet (1876-1965), Viktor Lowenfeld (1903-1960) e Florence de Mèridieu oferecem elementos para a compreensão dos desenhos figurativos das crianças, destacando algumas regularidades nas representações dos objetos.

Desenhar é uma forma de a criança lidar com a realidade que a cerca, representando situações que lhe interessam.

Mais cedo ou mais tarde, todos os pequenos se interessam em registrar no papel algo que seja reconhecido pelos outros. No começo, é comum observar o que se convencionou chamar de boneco girino, uma primeira figura humana constituída por um círculo de onde sai um traço representando o tronco, dois riscos para os braços e outros dois para as pernas. Depois, essa figura incorpora cada vez mais detalhes, conforme a criança refine seu esquema corporal e ganhe repertório imagético ao ver desenhos de sua cultura e dos próprios colegas.

Uma das primeiras pesquisas dos pequenos, assim que entram na figuração, é a relação topológica entre os objetos, como a proximidade e a distância entre eles, a continuidade e a descontinuidade e assim por diante. Em seguida, eles se interessam em registrar tudo o que sabem sobre o modelo ao qual se referem no desenho, e é possível verificar o uso de recursos como a transparência (o bebê visível dentro da barriga mãe, por exemplo) e o rebatimento (a figura vista, ao mesmo tempo, por mais de um ponto de vista). Assim, a criança se aproxima das noções iniciais de perspectiva e escala, estruturando o desenho em uma cena, sem misturar na mesma produção elementos de diferentes contextos (veja abaixo a produção de Anita, 5 anos, que detém essas características).

Reprodução/Agradecimento Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

“Vou desenhar a minha casa. Aqui é o portão e tem uma janela aqui.” Anita, 5 anos
“Dá para ver a sua mãe dentro de casa?”
Repórter
“Não, porque a porta parece um espelho. Só daria se a janela estivesse aberta.” Anita

O desenho é espontâneo ou é fruto da cultura?

Entre os principais estudiosos, há uma cizânia. Há os que defendem que o desenho é espontâneo e o contato com a cultura visual empobrece as produções, até que a criança se convence de que não sabe desenhar e para de fazê-lo. E há aqueles que depositam justamente no seu repertório visual o desenvolvimento do desenho. Nas discussões atuais, domina a segunda posição. “A única coisa que sabemos ser universal no desenho infantil é a garatuja. Todo o resto depende do contexto cultural”, diz Rosa Iavelberg.

Detalhes da figura humana, noções de perspectiva e realismo visual são elementos da evolução do desenho.

Essa perspectiva não admite o empobrecimento do desenho infantil, mas entende que a criança reconhece a forma de representar graficamente sua cultura e deseja aprendê-la. Assim, cai por terra o mito de que ela se afasta dessa prática quando se alfabetiza. “O desenho é uma forma de linguagem que tem seus próprios códigos”, diz Mirian Celeste Martins. “Para se aproximar do que ele expressa, é preciso fazer uma escuta atenta enquanto ele é produzido.” Para Mirian, a relação entre a aquisição da escrita e a diminuição do desenho ocorre porque a escola dá pouco espaço a este quando a criança se alfabetiza – algo a ser repensado em defesa de nossos desenhistas.

* Os desenhos e os diálogos publicados nesta reportagem são de crianças de 3 a 5 anos da Creche Central da Universidade de São Paulo (USP)

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