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Para os pais, a perfeição pode ser improdutiva

Choque

Em 1989, Arlie Russell Hochschild e Anne Machung publicaram nos EUA o livro O Segundo Turno: Pais que Trabalham e a Revolução Dentro de Casa. Tipo assim, eu não li o livro, mas sei do que se trata. É um daqueles livros que você tem que ler (eu tenho mesmo por causa da minha pesquisa de doutorado), mas que mesmo sem ler tem ideia da mensagem que o livro passa.

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Eu sou PhD em segundo turno, toda mãe é, quer trabalhe fora de casa ou não. Mas ser PhD no assunto “segundo turno” no sentido de saber que ele existe, ou seja, entender o conceito, não significa que ele seja colocado em prática por mim ou pelo meu marido. O cesto de roupas sujas ameaça nos engolir cada vez que passamos perto dele. Os cachorros estão com saudades de nós. Os armários da cozinha, principalmente o das panelas, estão uma zona. Meu armário está desorganizado. Estou a três dias tentando arranjar tempo para tirar o esmalte das unhas, que está todo descascado. A Alis? Ela tá ótima! Descansada, cheirosa, seu armário está arrumado, as roupas limpas, os brinquedos organizados. Até me impressiono que as coisas referentes a Alis não desmoronem (ai, que exagerooo), mas nossos esforços dentro de casa parecem priorizar o que tem a ver com a pequena. E nem é porque somos neuróticos por perfeição quando o assunto é filhos, mas porque sabemos que conseguimos lidar com um certo nível de bagunça com as nossas coisas, mas ela ainda é um pouco nova para isso e parece interessante dar um bom exemplo (de repente ela cresce curtindo ser organizada, vai). Faz sentido essa minha reflexão? Espero que sim.

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Ah, e parece exagero essa história do esmalte, né? Mas não é não. Fico me perguntando como não consigo arranjar cinco minutos para tirar o esmalte e, vou dizer, nem eu sei a resposta. Parece que sou engolida pelo trabalho que tenho que apresentar na segunda-feira, pelo livro que tenho que ler para uma das matérias, pelo sono que me derruba no final do dia, pelas horas que perco no trânsito. Mas essa rotina tem suas compensações. Na semana que passou fui engolida por um congresso fantástico, o Fazendo Gênero, que consumiu valiosas horas de cada dia, mas que alimentou tanto o meu cérebro que nem posso reclamar. E então a roupa suja tem que esperar a sua vez, o esmalte também. No fim das contas, é uma certa liberdade saber que nem tudo está em dia e que não somos escravos da perfeição. Para a vida fluir sem noia, alguma coisa tem que ceder. É puxada, sim, a rotina que envolve cuidar do(s) filho(s), trabalhar e crescer neste trabalho, cuidar do/e melhorar o espaço onde se mora, mas acho que o balanço a gente encontra no prazer de deixar algumas coisas atrasarem para poder curtir outras mais intensamente, como o congresso, a Alis, o jantar no Outback na quarta-feira, o café com as amigas no intervalo das aulas. Noiar na perfeição é, arrisco dizer, improdutivo. E bom fim de semana porque ele ainda não acabou! :)

Beijo,

Mel

PS: No título eu disse “para os pais, a perfeição pode ser improdutiva”, mas na verdade acho que a perfeição é improdutiva pra toda e qualquer pessoa. Prontofalei. #giriasdeoutrora #tovelha #tonemai

PS2: Marido, que tem TOC, me viu editando a primeira foto do post e perguntou “por que você está criticando a perfeição?” e fez cara de choque. Green, caso você passe por aqui, é porque ela é improdutiva. ;) Beijo!

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Alimentação: algumas ideias

Ideias para a cozinha

Cozinhar pode não ser o meu forte, mas eu me esforço bastante. Faço estrogonofe flambado, bolos gostosos, feijão, hambúrguer caseiro e tals, e nada fica com gosto de comida de chef, mas a minha filha gosta (e eu também). Aliás, ela gosta tanto que às vezes se recusa a comer fora de casa. Na escolinha ela até come de vez em quando, mas em restaurantes ela é mais de lua. Mas eu nem parei por aqui para falar disso, mas para mostrar algumas das coisas que eu faço para dar uma ideia para as pessoas que têm mini-humanos queridos para alimentar em casa, olha só (as fotos estão pequenas, mas para visualizá-las em tamanho maior é só clicar nelas):

Waffle

Waffle

Eu acho o Waffle uma ótima forma de começar um dia de fim de semana. A receita é super simples (eu uso esta daqui) e geralmente faço duas medidas porque o povo aqui é bom de garfo. A Alis se delicia, come bem e come sozinha, o que é sempre um alívio hehe. Passamos mel, mapple syrup, requeijão e manteiga em cima do Waffle, fica uma maravilha!

Arroz com misturinhas

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Gosto de misturar outros ingredientes ao arroz porque fico com a sensação de que a Alis está “comendo saudável”. Neste caso usei abobrinha e brócolis, que servi com um peixe que faço na frigideira (sem gordura) com tomate picado e molho de tomate. Ao arroz também misturo cenoura e espinafre. Adoro essa misturinha em todas as versões e a Alis curte tanto que às vezes come só isso amarradona. 

Hambúrguer caseiro

Hambúrguer

Antes de me aventurar a fazer hambúrgueres caseiros eu tinha uma ideia de que era algo complexo de se preparar, mas comprei um livro de receitas (este aqui) e vi uma muito fácil. Desde então faço sempre e amo de paixão. Faço na frigideira de vez em quando, mas na maior parte das vezes preparo os hambúrgueres no forno. Na foto acima usei uma cebola picada em pedaços beeem pequenos, dois pepinos bem picados também, um ovo, temperinho de cebola, alho e verdinhos comprado em uma dessas casas de produtos naturais; e uma colher de sobremesa de tempero completo para carnes. Depois disso, misturo a carne moída e congelo cada hambúrguer individualmente em papel laminado. Sirvo em formato de cheeseburger pra mim e pro Verde e com arroz misturadinho para a Alis!

{Não coloquei a foto com a carne misturada aos ingredientes porque sei que algumas pessoas não gostam do visual da carne crua.}

Ingredientes que amo de paixão e tenho sempre em casa (lista bem básica, mas com ela faço várias combinações):

– Cebola (dãr, óbvio!) e tomate

– Brócolis

– Abobrinha

– Abóbora (amo!)

– Batata

– Cenoura

– Chuchu (nem gosto muito, mas acho que, como é verdura, deve servir para algo bom no meio da comida hehehe)

PS: acho um saco descascar a abóbora e cortá-la em pedaços, então geralmente compro uma abóbora grande, descasco, pico, uso um pouco na receita que estou fazendo e congelo o resto, assim não fico com preguiça de usar esse alimento em outros momentos.

Em termos de ideias, pego várias daqui (e nunca sigo as receitas à risca, só uso a referência como inspiração mesmo): Family Fresh Meals.

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Mama’s little helper

Vestida de vermelho, charmosinha e colaborativa, descobri na minha pequena uma ajudante de cozinha. Ontem, como eu disse no antepenúltimo post (complexo), tivemos pediatra. A doutora me disse que peixe é um excelente alimento para ajudar na produção de leite materno. Lá fui eu comprar peixe e camarão para fazer um pequeno banquete para a minha filha que, por tabela, come o que eu como. Eu curto cozinhar, mas não sou uma exímia chef, não mesmo. Eu faço um bolo razoável, sei flambar a carne do estrogonofe, me jogo num feijão e tal, mas peixe foi a primeira vez.

Minha ajudante de cozinha supervisionando o descongelamento do camarão

O processo foi todo intuitivo, não segui receitas. Aliás, eu tenho esse problema. Eu compro livros de receita, anoto receitas da internet, pego indicações com exímios cozinheiros (tenho uma prima, a Estela, que faz milagres na cozinha), mas não sigo nada, nem as medidas nem os temperos. Eu improviso, substituo, “sigo meu coração”. Pois bem… a minha primeira experiência com peixe foi assim. Usei sal, azeite de oliva, limão e leite de coco e deu. Cortei umas batatinhas, uma cebola e uns tomates, distribuí pela fôrma e apostei na minha sorte. Primeiro problema: coloquei leite de coco demais, então o peixe demorou uma hora e meia pra secar, mas ficou delicioso!

Nota de apresentação: 0. Nota de sabor: 7,5, o que é bom para a primeira vez com peixe, né?

Molho meio que não tem segredo, né? Cebola (AMO! A doutora disse que eu devo comer pouca cebola para evitar que a minha filha tenha cólica, mas desde os 15 anos eu tenho tara por picar cebola…), tomate, camarão, sal e três temperinhos mágicos: orégano, cheiro verde e noz moscada. Na finalização, e só porque a minha filha pediu, acrescentei milho, que ela ama, e leite de coco (adoooro, me lembra culinária indiana).

Noz moscada, cheiro verde e orégano

Mãaaae, não esquece o milho!

E voilá! 12 mil horas depois, porque o processo foi interrompido um zilhão de vezes para que eu pudesse amamentar a minha ajudante colaborativa (ela tem o seu preço!), ficou pronto meu primeiro almoço mais elaborado desde que a pequena nasceu. Eu venho cozinhando direto, mas é uma culinária bem preguiçosa, de quem faz as coisas olhando para o relógio ou para a babá eletrônica. Agora que descobri que a pequena curte me acompanhar (fico cantando pra ela o tempo inteiro… e olha que eu canto mal!) posso agilizar almoços mais interessantes. … Ainda dou conta de lavar a roupa, a louça, blogar, checar facebook com uma frequência assustadora, ler livros e assistir a várias séries na TV. Surileia Mãe Monstrinho, alguém conhece? Sinto-me estranhamente conectada a ela…

Voilá! Almoço saudável-que-ajuda-na-produção-de-leite-materno

Confissão: não toquei na salada… não vai ser assim que vou perder os quilos a mais que ficaram depois da gravidez. Mas vamo que vamo que essa é outra luta!

Fato: um prato sem salada!

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