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Hoje um estranho salvou meu dia

Oie!

Gente a Tpm me pegou e ontem o dia começou com grandes emoções…  a V. acordou com a corda toda, agora ela forma muitas frases e é sempre emocionante e divertido. Ao mesmo tempo, sempre quando pinta uma novidade fico imaginando como a minha mãe ficaria feliz de assistir isso de perto. Quem acompanha o blog talvez já tenha lido em algum post que ela faleceu ano passado.

Bem, eu sei que pode parecer que estou forçando um sofrimento, mas é inevitável e mãe é mãe né? Quando acontece algo super bacana ou nada bacana é a primeira pessoa que eu gostaria de ligar e compartilhar.

Ok, tirei o dia para resolver uns pepinos e as coisas não deram muito certo (poxa!!), ainda tive que escutar umas besteiras e  no fim fiquei com um sentimento de dia perdido e mega arrependida por não ter ficado trabalhando no meu projeto. Acho que preciso voltar a me colocar em primeiro  (ok, segundo) plano na minha vida.

Para falar a verdade acho que vocês não estão entendendo nada né? Mas como tudo deu errado ontem, fiquei  pensando em como estaria a minha vida se a minha mami estivesse por aqui. Quando estava grávida eu e a a minha mãe planejávamos contratar uma baba para ajudar a cuidar da V. enquanto eu estivesse trabalhando. Minha mãe era professora e tradutora e tinha um escritório em casa e esse era o nosso plano até a V. completar 1 ano, depois seria meio período na escola e o restante na minha mãe.

Planos dourados que não foram possíveis, quando a V. estava com 2 meses minha mãe descobriu que estava com câncer e depois de 7 meses faleceu. Nesse período eu estava amamentando  e foi um caos total. A Dinda ajudava a cuidar dela, marido trabalhando, enquanto isso pedi demissão e ficava no hospital e fomos tocando a vida. É claro que amamentei super pouco porque meu leite foi “secando” devido a falta de estimulo. Se alguém por aqui está passando por algum problema parecido o que eu posso dizer é que não me arrependo nem um pouco e se tivesse outra oportunidade faria muito mais. A V. está aqui saudável e sobreviveu a minha ausência nos primeiros meses de vida.

Agora focando na questão dos meus pensamentos e sentimentos de hoje… o que posso dizer é que rola um conflito entre muitas mulheres entre retomar a vida, ou melhor, não parar as atividades ou de simplesmente jogar tudo para o alto e  dedicar todo o tempo para aquele ser dependente que “precisa” da mãe.

Eu (infelizmente) não tenho a “receita do bolo”, mas acho que no fundo todo mundo sabe qual é a melhor decisão. Tenho uma amiga grávida de 7 meses que já está procurando babá e escola porque sabe que quer e precisa voltar a trabalhar depois dos 4 meses. Se ela me dissesse isso ano passado eu acharia uma loucura, mas hoje compreendo e respeito a decisão.

Eu sinto falta de trabalhar e sei que tem gente que pode me achar maluca e que daria tudo para estar no meu lugar, mas não é fácil tocar uma casa com um baby. Não me interpretem mal, hoje é só um “bad day” e diga-se de passagem que minha vida é ótima e me sinto até culpada em me sentir assim. Mas sinto saudades s-i-m de ter mais tempo para mim. Não pensem que isso é draminha de comercial de margarina, eu amo muito a minha filha!

Meu dia é mais ou menos assim: acordo e me arrumo, preparo a mamadeira e acordo a V., troco fralda, roupa, arrumo o lanche da escola, fazemos alguma atividades em casa ou fora, lanche da manhã, almoço, transito, escola, transito, às vezes volto para casa e arrumo a bagunça e aí começo a trabalhar no meu novo projeto, às vezes fico em algum café com internet, penso na janta, busco a V. na escola, transito, janta, louça, banho, mamadeira, brincadeiras e cama. Parece assustador? Posso garantir que é divertido e as vezes difícil. Muitas vezes saímos totalmente da rotina e é delicioso! No momento o marido tá bem envolvido com uns projetos no trabalho e ontem fiquei tentando contar quantas horas do dia sobram efetivamente para mim.

No próximo ano quero me dedicar e engrenar minhas atividades de vez e já vou começar a pesquisar a possibilidade da V. ficar alguns dias período integral ou alguma outra saída.

Bem, depois dessas coisas todas passarem na minha cabeça fui buscar a V. na escola e resolvi levar ela no parquinho e foi aí que conheci o “pai da Marina”. Sabe aqueles papos de mãe para mãe que rolam em um fraldário, play, fila de supermercado? Pois não é que algum anjo da guarda me mandou o “pai da Marina” que vendo a V. com quase um ano de diferença da filha dele chegou a conclusão que o tempo passa muito rápido e que temos que aproveitar muito nossos babies porque eles deixam de ser pequeninos rapidamente. É clarooooo que eu já sabia disso, mas depois de um dia emocionalmente conturbado foi ótimo ser elogiada e o coitado do “pai da Marina” não me falou nada de mais, só fez o favor de me conectar com o mundo valorizando o momento e as minhas escolhas.

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E assim… fiquei aproveitando o parquinho com a V. cheia de lágrimas nos olhos. O mais engraçado é que não dá mais para chorar e disfarçar porque ela logo diz: “a mamãe tá chorando? fez dodói? tá tiste? (é assim mesmo que ela fala)” uma figura que eu amo muito!!

Sorry pessoal, hoje não tem imagens bonitinhas da Minnie :) Bjs!

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Farewell, dad!

Na semana passada, mais precisamente no dia 29 de novembro, perdi meu pai para o câncer. É estranho que o meu último post, que escrevi antes mesmo de saber que ele internaria no mesmo dia, trate do meu pai. Tivemos 4 bons anos para nos curtir desde que Hamilton Savi, meu pai, descobriu um câncer no intestino com metástases no fígado. O médico que o operou em uma cirurgia de emergência lhe deu 4, no máximo 6 meses de vida, mas a vida quis diferente e ele teve uma boa sobrevida de 4 anos. Nos dois primeiros anos eu e minha irmã nos revezávamos para cuidar dele, eu dormindo duas noites seguidas e a minha irmã uma, já que ela tinha/tem dois filhos pequenos, que eram ainda menores na época. Eu estava terminando o mestrado e não me custava ajudar a cuidar de um pai tão querido e atencioso.

Pai Jornal

Pai no DC de quinta-feira passada, dia 6, onde foi publicada uma matéria sobre a vida dele. Na foto, ele em Paris, curtindo a Europa que tanto amava.

Depois de dois anos, meu pai achava que não duraria muito e me pediu para viajar com ele para a Europa, meio que para se despedir do mundo em grande estilo. Fomos para Paris e Londres, duas cidades que ele ama de paixão. Eu, ele, minha sobrinha que estava com 12 anos e minha mãe embarcamos em dezembro de 2010 e lá, apesar de alguns probleminhas técnicos de saúde que ele teve, foi uma delícia e um sonho realizado. Novamente, o mundo tinha seus próprios planos e meu pai ficou muito bem até julho de 2011. Eu já estava grávida quando, neste mês, meu pai teve uma séria crise de encefalopatia hepática. Ele entrou em um estado catatônico muito estranho, não se comunicava, mas entendia o que os outros diziam, então conseguia comer e, com algum esforço, caminhar. Meus queridos tios entraram na jogada e nos ajudaram a cuidar dele. Aliás, meu pai se mudou para a casa da minha tia Raquel e lá ficou até março de 2012, quando se mudou para o Residencial Vida Nova, um lar para a terceira idade mais que maravilhoso e com uma equipe de primeira. Ainda quero escrever mais sobre esta experiência porque acredito que as pessoas têm uma ideia sobre lares para idosos que nem sempre bate com a realidade. Estava claro que ele estava em um lugar que, embora fosse simples para os padrões a que ele estava acostumado, é maravilhoso e extremamente humano. Meus tios realmente se esforçaram, dou todo o mérito a eles, mas meu pai já estava em um estágio da doença que, em família, acredito que se for possível pagar pela hospedagem do paciente em uma clínica, melhor. Meu pai começou a ter alguns distúrbios de personalidade depois que a encefalopatia hepática começou a se manifestar, então não era sempre fácil lidar com ele nessas horas. Ele ficava um pouco agressivo, demandava muito dos cuidadores, pedindo para ir ao banheiro de cinco em cinco minutos e ficando alterado quando seus desejos não eram atendidos prontamente. Em família, e digo isso porque eu confundi muito as coisas, é mais difícil processar essas manifestações de necessidades, mas em um ambiente preparado para doenças é mais fácil porque todos estão acostumados a isso. Lembro que da primeira vez que meu pai teve uma crise de agressividade, Eliana, a dona do Vida Nova, me ligou e contou o que havia acontecido. Eu, preocupada, perguntei “Ele vai ter que sair do Vida Nova?”, e ela me disse “Imagina, estamos acostumados, só estou contando o que aconteceu para vocês ficarem a par da situação”, ou seja, existe uma compreensão da doença que a família, por estar emocionalmente envolvida, nem sempre consegue ter. Aliás, digo isso não por causa dos meus tios, que, acredito, eram muito mais pacientes e capazes que eu, digo porque depois da crise de encefalopatia hepática, eu, grávida e em seguida com neném pequeno, nem sempre sabia lidar com as alterações de personalidade dele. Eu ficava triste, deprimida, preocupada, com raiva, impaciente, tudo junto e misturado. Eu, realmente, naquele/neste momento da minha vida em que estava me tornando mãe, queria o meu pai bem, participativo, curtindo a neta, me ajudando no processo de me tornar mãe, me ajudando a cuidar da pequena, participando das primeiras experiências, o primeiro cinema, a primeira fruta, o primeiro sorriso. Quando meu pai se recuperou da primeira vez da primeira crise de encefalopatia, olhou pra minha barriga e disse “A minha meta é conhecer a Alis. Depois disso, posso partir em paz”. E ele conheceu a netinha, curtiu a netinha até onde pôde, participou como foi possível e me ajudou dando valiosos conselhos sempre que estava lúcido e sempre, sempre, sempre me deu muito carinho e amor.

conselho 1

Em 2003, meu pai me deu o livro “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda e escreveu na dedicatória: “Melina, quem sabe escolher um livro nunca está só”.

Eu tive um pai maravilhoso e serei eternamente grata por todas as lições, todo o amor, a dedicação, a educação, as repreensões, os livros que ele me deu, os filmes a que assistimos juntos no cinema, os cappuccinos que tomamos juntos e que eram sempre regados a uma boa conversa, à força que ele teve para se manter vivo e bem (na medida do possível, como ele mesmo diria) para conhecer a Alis e ter seu papel de avô na vida desta pequena. “Saudade” é agora uma palavra eterna no meu vocabulário. Ainda bem que nasci no Brasil, onde ela existe.

No vídeo, grandpa Hamilton falando sobre sua experiência no Vida Nova com a netinha no colo!

PS: Eu faria tudo de novo!

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