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O sentido está na forma de contar as histórias

“Por que oferecemos versões de histórias que valorizam indivíduos que começam por baixo e lutam até o topo em vez de histórias que retratam essas formas de competição como graus diferentes de insanidade? Por que falamos para os nossos filhos que a vida é dura quando poderíamos tão facilmente dizer-lhes que a vida é doce?”

– Thomas King –

Temos momentos e momentos. Eu, por exemplo, tenho vivido um momento difícil. Ele não é impossível, ele não é depressivo, mas ele é novo, ele implica mudanças no futuro. Mas a pessoa que está passando por esse problema não sou eu e essa pessoa tem uma visão muito mais otimista do que a vida é e pode ser com este problema do que eu. Diante desses fatos, li o trecho acima no livro “The Truth About Stories: a Native Narrative” [A Verdade Sobre as Histórias: Uma Narrativa Nativa], do Thomas King, e me veio uma sensação boa de que esse nosso binarismo Bom/Mau não pertence às narrativas dos povos nativos de que ele trata no livro. Quer dizer, o bom e o ruim existem, mas em vez de serem opostos, fazem parte do mesmo espectro, co-existem. O mau não necessariamente traz um mau resultado. O mau faz parte do bom e o bom faz parte do mau.

Eu tenho percebido que a Alis está mais grudada em mim nesta última semana, e coincide justamente com o momento em que fui atropelada por uma tristeza que não me é comum. Sou geralmente uma pessoa bem otimista, passei por quatro anos de doença do meu pai contando piadas e histórias para ele e com ele enquanto tomávamos sopa ou café. Na história dele eu senti muito forte essa questão do bom e do mau como parte de um espectro, mas isso aconteceu no processo da doença, e não assim que nós a descobrimos. Então o que eu tenho tentado fazer para encontrar essa, sei lá, sabedoria talvez, é pensar em todas as coisas boas que essa notícia pode me fazer aprender, mesmo não sendo necessariamente e aparentemente boa.

Abstraí demais? Talvez sim, mas esse trecho do Thomas King me faz pensar sobre como posso empoderar a minha filha para as batalhas futuras se eu simplesmente mudar a forma com que conto as histórias. Em vez de dizer “a vida é difícil”, posso dizer “a vida é bela, basta você saber como lidar com ela”. E ainda rima, né? Mas não adianta só falar, agora começa o exercício de viver de acordo com essas palavras. E dá-lhe perseverança!

Beijos!

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Arquivado em Literatura, Vida de mãe