Quando é hora de ter o/a segundo/a filho/a?

Depois que minha filha nasceu, passei por um momento (que durou cerca de seis meses) meio “ela será filha única” e “por que as pessoas têm filhxs”? Eu tive uma série de “infortúnios”, como enxaqueca pós raqui, depressão pós-parto, o leite demorou para descer e meu pai estava doente. Além disso, eu e meu marido estávamos hospedados na casa da minha mãe porque nossa casa estava em reforma (e sim, o plano era que a reforma tivesse acabado antes do parto). Então me vi dentro dessa conjuntura com grande parte da minha vida espremida dentro de um quarto pequeno que tinha duas camas de solteiro (o quarto onde passei a minha adolescência), um berço e dois armários entulhados de coisas.

https://maisquemaes.files.wordpress.com/2015/10/9f39b-jclittle_evolution-of-zombie-mom-555.jpg?w=500

A pós-raqui por si só já foi o caos. Eu não conseguia comer, e levantar era sinônimo de uma dor esmagadora (mesmo, do tipo “estão esmagando o meu cérebro”). A pós-raqui acontece, de acordo com o Dr. Mario Peres, “por hipotensão liquórica, ou seja, por baixa da pressão interna do cranio, a pressão intracraniana” e pode acontecer após a raquianestesia, que foi o que eu fiz antes do parto. Ou melhor, fizeram em mim. A dor melhora quando se está deitada e tem efeito esmaga-cérebro­ quando se está em pé. A sorte é que a pós-raqui passou sozinha depois de uma semana de mimimi intensificado vezes mil da minha parte e paciência e carinho de todos em volta, ou seja, não foi necessário recorrer a um procedimento meio que assustador chamado “blood patch”.

A depressão pós-parto não foi das piores (já ouvi e li relatos mais intensos), mas não foi moleza. Do meu ponto de vista, foi foda. Tirando os momentos em que eu estava dormindo, chorei quase que ininterruptamente por quinze dias. Tá, é exagero, não foi assim, mas chorei muito, muito mesmo. Parecia que eu tinha sido sugada por um buraco negro e não sairia de lá tão cedo. Senti muita pena de mim mesma e só comecei a melhorar quando uma amiga querida que tinha ido a uma balada forte no fim de semana anterior me visitou e ficou contando detalhes sórdidos de uma pegação igualmente forte. Foi emocionante sair do meu mundinho e imaginar que havia vida lá fora.

(foto meramente ilustrativa da balada que a amiga frequentou e sobreviveu para contar a história)

Agora o leite. O leite demorou, imagino eu, por causa do estresse da pós-raqui. Só começou a vir em volume mesmo lá pelo quinto ou sexto dia. Eu e filha chorando o tempo todo não dava, então a filha tomou mamadeira e mamou no peito. Eu precisava dormir para “des-surtar” e ela precisava comer para, ahn, des-surtar também, então funcionou maravilhosamente bem e ela mamou no peito até completar um ano de idade. Cada pessoa sabe o que é melhor pra si, e foi muito bom seguir a minha intuição porque…assim…o sono, gente, o sono. Eu precisava que a Alis parasse de chorar de fome para eu poder dormir.

( sono e o “estado-zumbi-de-ser” durou um ano)

E o mais engraçado é que o ser humano esquece, não é mesmo? Tudo aquilo, agora que a Alis já tem quase 4 anos, me parece tão distante. Parece a vida de outra pessoa. E, se eu realmente parar pra pensar, é mesmo a vida de outra pessoa. Tanta coisa mudou em quatro anos. O que jurei não querer viver de novo agora me parece tão emocionante (eu obviamente já esqueci de tudo mesmo). Estou vivendo um momento chamado “quem sabe…quem sabe um segundo bebê…”. Aguardemos os próximos capítulos!

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