Arquivo do mês: outubro 2015

Links da Semana

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Se você não mora em Marte, onde aparentemente existe água, já ouviu falar do horror que rolou nesta semana, onde uns seres desmiolados fizeram comentários de cunho sexual a respeito de uma pré-adolescente que participa do tal do MasterChef Junior BR. Nunca assisti ao programa, e nem pretendo, já que mal ligo a TV hoje em dia (não é evolução espiritual, é falta de tempo), mas não moro em Marte e fiquei sabendo dele por meio do supracitado escândalo. Este texto (link) é perfeito para fazer uma reflexão sobre QUE PORRA ACONTECE NUMA SOCIEDADE QUE ENXERGA CRIANÇAS COMO OBJETOS SEXUAIS e que entende que uma mulher que estiver usando roupas curtas “está pedindo”. O título do texto é “O Estupro de Crianças – de Valentina à Araceli e o Preço que todas nós pagamos” e é leitura indispensável para esta semana.

Foto de Marte, um bom lugar para mandarmos todos os babacas que operam dentro da cultura do estupro:

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Bom… depois de ler esse link, você pode assistir a este vídeo da Marjorie Rodrigues que, além de inteligente, dá conta de fazer vídeos super divertidos sobre assuntos sérios. Este aqui é sobre a lição mais importante que todxs nós deveríamos passar para frente, para os filhos, vizinhos, parentes e desconhecidos em geral como mantra (e é o que ela fará, como explica no vídeo, com seu futuro filho, caso ele um dia venha a existir): DEIXA AS MINA EM PAZ. Bastante caixa alta neste post, não é? Em minha defesa, o assunto pede.

O canal dela tá aqui: Marjorie Rodrigues. Vai lá, é legal!

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E, finalmente, um texto sobre a cultura do estupro, publicado pela revista digital AzMina. A equipe apresenta dados assustadores sobre índices de estupro no Brasil e no mundo, faz uma reflexão sobre o termo “cultura do estupro” e, melhor de tudo, apresenta uma proposta, que é feita de forma breve, mas envolve um trabalho de formiguinha que é essencial para mudar o jogo:

“A primeira coisa que você pode fazer é conversar com as pessoas sobre a cultura do estupro. É preciso que sejamos implacáveis. Por vezes seremos acusad@s de moralistas. Foda-se: isso não é nada perto da acusação de cumplicidade com estupros. […] A televisão não vai mudar. A publicidade não vai mudar. Não espontaneamente, pelo menos. Não sem que a gente perca o medo e comece a discutir a cultura do estupro na TV, nos jornais, nas redes sociais. Quando você vir, aponte. Há muitos documentários e artigos sobre cultura do estupro. Pesquise, mostre aos seus amigos. Não tenha medo de ser chato.

Tenha medo de que mais estupros aconteçam.”

Trabalho de formiguinha não é sinônimo de trabalho insignificante. Muito pelo contrário: é trabalho essencial para a transformação profunda de um sistema. Eu, particularmente, tenho interesse em mudar esse sistema. Vamos?

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Arquivado em Ativismo, Feminismo

Quando é hora de ter o/a segundo/a filho/a?

Depois que minha filha nasceu, passei por um momento (que durou cerca de seis meses) meio “ela será filha única” e “por que as pessoas têm filhxs”? Eu tive uma série de “infortúnios”, como enxaqueca pós raqui, depressão pós-parto, o leite demorou para descer e meu pai estava doente. Além disso, eu e meu marido estávamos hospedados na casa da minha mãe porque nossa casa estava em reforma (e sim, o plano era que a reforma tivesse acabado antes do parto). Então me vi dentro dessa conjuntura com grande parte da minha vida espremida dentro de um quarto pequeno que tinha duas camas de solteiro (o quarto onde passei a minha adolescência), um berço e dois armários entulhados de coisas.

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A pós-raqui por si só já foi o caos. Eu não conseguia comer, e levantar era sinônimo de uma dor esmagadora (mesmo, do tipo “estão esmagando o meu cérebro”). A pós-raqui acontece, de acordo com o Dr. Mario Peres, “por hipotensão liquórica, ou seja, por baixa da pressão interna do cranio, a pressão intracraniana” e pode acontecer após a raquianestesia, que foi o que eu fiz antes do parto. Ou melhor, fizeram em mim. A dor melhora quando se está deitada e tem efeito esmaga-cérebro­ quando se está em pé. A sorte é que a pós-raqui passou sozinha depois de uma semana de mimimi intensificado vezes mil da minha parte e paciência e carinho de todos em volta, ou seja, não foi necessário recorrer a um procedimento meio que assustador chamado “blood patch”.

A depressão pós-parto não foi das piores (já ouvi e li relatos mais intensos), mas não foi moleza. Do meu ponto de vista, foi foda. Tirando os momentos em que eu estava dormindo, chorei quase que ininterruptamente por quinze dias. Tá, é exagero, não foi assim, mas chorei muito, muito mesmo. Parecia que eu tinha sido sugada por um buraco negro e não sairia de lá tão cedo. Senti muita pena de mim mesma e só comecei a melhorar quando uma amiga querida que tinha ido a uma balada forte no fim de semana anterior me visitou e ficou contando detalhes sórdidos de uma pegação igualmente forte. Foi emocionante sair do meu mundinho e imaginar que havia vida lá fora.

(foto meramente ilustrativa da balada que a amiga frequentou e sobreviveu para contar a história)

Agora o leite. O leite demorou, imagino eu, por causa do estresse da pós-raqui. Só começou a vir em volume mesmo lá pelo quinto ou sexto dia. Eu e filha chorando o tempo todo não dava, então a filha tomou mamadeira e mamou no peito. Eu precisava dormir para “des-surtar” e ela precisava comer para, ahn, des-surtar também, então funcionou maravilhosamente bem e ela mamou no peito até completar um ano de idade. Cada pessoa sabe o que é melhor pra si, e foi muito bom seguir a minha intuição porque…assim…o sono, gente, o sono. Eu precisava que a Alis parasse de chorar de fome para eu poder dormir.

( sono e o “estado-zumbi-de-ser” durou um ano)

E o mais engraçado é que o ser humano esquece, não é mesmo? Tudo aquilo, agora que a Alis já tem quase 4 anos, me parece tão distante. Parece a vida de outra pessoa. E, se eu realmente parar pra pensar, é mesmo a vida de outra pessoa. Tanta coisa mudou em quatro anos. O que jurei não querer viver de novo agora me parece tão emocionante (eu obviamente já esqueci de tudo mesmo). Estou vivendo um momento chamado “quem sabe…quem sabe um segundo bebê…”. Aguardemos os próximos capítulos!

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