Arquivo do mês: junho 2015

A minha filha e as nossas expectativas

certo por linhas tortas

Tenho um grupo de amigas bem especial. Nos conhecemos desde pequenas, éramos ainda crianças quando nos escolhemos. No total, somos cinco. Dessas, uma ainda não tem filhos, mas como ela tem bastante contato com as outras quatro, compreende que as relações mudam quando se tem filhos pequenos*. É entendido por parte de todas que se uma não consegue participar da conversa como participava na vida pré-filha é porque está, no momento, cuidando da filha (quanto menor, mais atenção requer). O que quero dizer com toda essa introdução é que, com o nascimento das filhas, passamos a entender que a conversa será picotada, interrompida por manhas e necessidades, que a atenção dedicada à conversa não será 100% porque mini-pessoas habitam conversas que um dia se deram apenas entre mulheres.

Mas, é claro, nem todxs entendem isso. Chamei este post de “a minha filha e as nossas expectativas” para chamar atenção para o fato de que se a minha filha está presente e eu estou conversando com alguém, os humores da minha filha também estarão presentes. A minha filha vai, quer o mundo queira ou não, ocupar o espaço dela. E digo isso porque ela, assim como todos os adultos que conheço, tem momentos de mau humor, de fome, de cansaço, de manha, de mi-mi-mi. Ela não é um robozinho que pode ser desligado quando alguém precisa da minha participação plena em uma conversa e não vai exibir seu melhor comportamento e graciosidade o tempo todo. Nem sempre dá pra segurar o tchan. Às vezes o tchan toma conta da situação.

Então assim…sempre que uma criança estiver tentando chamar a sua atenção enquanto você tenta conversar com a mãe dela (e/ou com o pai), tente entender que por trás de todas aquelas manifestações que podem, sim, ser irritantes, há um ser que tem necessidades muito parecidas com as suas. Nós, adultxs, precisamos de atenção. Gostamos de socializar com outros seres humanos (e com os nossos amados bichos também!), de comer em companhia, de conversar. E essa conversa com as crianças, por mais boba que possa parecer, é tão importante. Talvez seja só isso o necessário para que a criança que interrompe a conversa pare de fazê-lo: ela quer ser reconhecida como participante da conversa, e não como um estorvo. Quem quer ser silenciadx? Eu não gosto. Se não for hora de falar, vou conversar com a minha filha com calma e explicar que não é hora, mas não vou pedir que ela se cale em situações das quais ela pode participar.

Gosto de pensar que estou construindo uma relação de amizade com a minha filha, e se eu precisar recorrer à autoridade, tudo bem, mas não vou abusar deste recurso simplesmente porque posso. Gosto de saber que ela pode participar de conversas, que o espaço dela não precisa ficar restrito ao “espaço da criança”, mesmo porque tenho interesses próprios: não quero me excluir do espaço da criança, quero que o espaço do adulto e da criança se contaminem e construam algo bacana, algo que é um mix de fantasia e responsabilidade, de brincadeira e seriedade. E acho que os adultos que se abrem pra isso saem ganhando, aprendem a trabalhar com o nonsense, tão importante para não nos levarmos tanto a sério.

O que tiro disso é que ninguém tem obrigação de saber que crianças manifestam necessidade de formas nem sempre divertidas, principalmente se a pessoa tem pouco contato com crianças. Ninguém nasce sabendo e não precisamos perder amigxs preciosos por uma besteira dessas, mas podemos dar um toque nxs amigxs para melhorar a relação com todxs xs envolvidxs.

Bom, é isso que eu venho aprendendo com a minha pequena de três anos. De quebra, vai um vídeo bem engraçado da Elle, do What’s up Moms, que tem tudo a ver com o post:

Você se vê passando por situações como essa? Espero que sim (risos), gosto de saber que não estou sozinha!

* uma de nós já tem uma filha adolescente, e filhxs adolescentes são, basicamente, auto-suficientes. Nada de “mãe, vem me limpar”, etc e tal.

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