Arquivo do mês: julho 2014

Barulhinho Bom

Para ler ouvindo:

Quem escreve, escreve como? Do que você precisa para conseguir esvaziar seu peito de todas aquelas palavras que descrevem, da melhor maneira possível (assim você espera), o que você sente (ou precisa escrever para um trabalho)? Escrever com barulho em volta eu até consigo, mas não consigo ler atentamente com muita coisa acontecendo ao meu redor. Vira e mexe até me inspiro com as interrupções da minha filha, que me pede para participar de uma brincadeira ou simplesmente quer a minha atenção por achar que eu pertenço a ela. E realmente acho isso: penso que às vezes a A. me interrompe simplesmente para lembrar-me de que ela deve ser o centro do meu universo. E não, isso não me chateia, acho até charmoso. Gosto de ver o peito dela estufar quando enxerga em mim um porto seguro, um parque de diversões para as brincadeirinhas dela.

Desde que o meu pai adoecei, “peguei” uma mania, como se fosse um estado de saúde mesmo: relativizo tudo. Comparo o que estou vivendo com o que está acontecendo no mundo, comparo o que me aborrece com uma imagem panorâmica do mundo. Conflito na faixa de Gaza? Um bilhão de vezes mais importante que a minha necessidade por silêncio para me concentrar. Avião atingido por separatistas na Ucrânia? De novo, milhares de vezes mais complicado que o fato de eu não conseguir escrever três linhas seguidas porque a A. está me solicitando. E isso que nesses exemplos estou usando as coisas que a mídia considera grandes; coisas muito mais próximas de mim são igualmente complicadas, e nem preciso listá-las porque uma zapeada na TV local já basta para sabê-lo. Pode parecer que é um discurso de Poliana esse meu, mas não é, é apenas uma estratégia de sobrevivência que encontrei para entender que o barulhinho que me cerca é maravilhoso e que tenho um privilégio incrível em poder tê-lo. Dito isto, é importante ressaltar que tenho os meus métodos de escrita, independentemente dos acontecimentos trágicos do mundo. Gosto de estar descansada, de ver vida ao meu redor. Escrevo feliz da vida em cafés, com burburinho de conversa e música ambiente, e gosto de saber que não vou ser interrompida repetidas vezes com mensagens na internet e no celular (me distraem mais que a A.). Desligo os chats e desativo o 3G para fingir que estou sozinha, ainda que esteja em um lugar movimentado. E, se eu estiver em casa a Alis aparecer para pedir uma bitoca ou um arrego, meço as minhas prioridades e decido o que fazer. Mas que interrupçãozinha boa de ter.

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Fica difícil reclamar recebendo um colinho desses…

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Desfralde: Um dia de números 1 e 2 em um Parque de Diversões

Eis que o desfralde aconteceu. Demorou, demorei, mas aconteceu. A. está com 2 anos e cinco meses, então sei que levei tempo para dar início ao processo, mas a verdade é que tive preguiça. A gente pode confessar esse tipo de coisa na internet? Pois é, tive preguiça, não tenho nenhuma outra desculpa. Porém, uma vez iniciado o processo, me perguntei por que não comecei antes. De acordo com uma pediatra com quem conversei, a partir dos 2 anos a criança já tem condições de segurar as suas necessidades até que chegue ao banheiro, já tem condições de entender essa nova etapa (e a pediatra da A., na consulta de dois anos e dois meses, me deu um puxão de orelha porque eu ainda não havia iniciado o desfralde). O que estou achando até agora? Relativamente tranquilo, e tenho aprendido bastante também. Nos dois primeiros dias, por exemplo, eu perguntava de 5 em 5 minutos se ela queria ir ao banheiro. Fiz corridas com ela até o vasinho, fiz mini-terrorismo (argh, eu sei, também odeio quando me flagro fazendo)…até que aprendi que ela precisa aprender a observar suas necessidades. Em alguns dias tivemos um “acidente”, em outros, dois ou três.

[A conclusão colateral é que uma das melhores escolhas que fiz na vida foi a de comprar uma máquina de lavar com secadora (risos!).]

Bom, mas e o que aconteceu no Beto Carrero? Nossa sobrinha de 11 anos nos fez uma visita e resolvemos aproveitar o sábado de sol no parque. Tremi nas bases quando pensei nos malabarismos que teríamos que fazer com a A. na primeira semana do desfralde, mas encarei (encaramos) o desafio. Resultado: até as 15h, tudo certo. A. pediu para fazer xixi em um primeiro momento, em seguida topou fazer xixi antes de entrarmos no trenzinho porque a viagem seria “longa”, depois pediu para fazer número 2, mas à tarde a coisa começou a desandar. Pediu para fazer número 2, mas já tinha feito nas calças e mais tarde pediu para fazer xixi quando já estava fazendo. Nessa hora estávamos sentadas na vila germânica vendo os personagens de Shrek, que posavam para fotos na pracinha, e quando ela começou a fazer xixi gritei “levanta as pernas pra não sujar a bota”!! Foi hilário! Entrei no banheiro da Bier Hause com uma cara de mãe desconsolada, troquei a roupa da Alis no banheiro mais mijado do parque (perdoem o meu “francês”) e, quando saí, o dono do lugar perguntou se eu queria alguma coisa. “Um chope”, eu disse! Tomei 500ml de chope em menos de 15 minutos. Mereci por não ter me estressado, por ter dado risada da minha filha e com a minha filha em toda essa situação! Tem tanta coisa séria acontecendo no mundo que seria besteira eu me estressar por causa de um xixi nas calças.

Avilagermanica

Saímos (eu, namorido, A. e prima) da vila germânica em direção a uma última aventura antes de o parque fechar: Fire Whip, a montanha russa mais radical do hemisfério sul (é isso mesmo? Confere, produção?). Na fila, que não era pequena, A. pediu para fazer xixi. Contei até 2 (porque se contasse até 10 era capaz de ela fazer xixi nas calças) e a levei para o banheiro, que ficava próximo. O dia de parque terminou com um sucesso líquido, e isso me deixou muito satisfeita!

E pra quem quiser saber, continuamos com a fralda noturna, que continua amanhecendo vazia.

O que aprendi nos últimos dias: preciso deixar a A. mais confiante de que ela consegue identificar suas próprias vontades (enquanto escrevia, ela foi ao banheiro por conta própria DUAS vezes!) e não ficar oferecendo para levá-la ao banheiro de 5 em 5 minutos (nos dias em que fiz isso, A. ficou angustiada com a simples visão do piniquinho).

E vamos que vamos! Abaixo, um episódio do Urso da Casa Azul cujo tema é desfralde. Adoro esse programa!

Como foi/está sendo a sua experiência com o desfralde?

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