Saudades da gravidez

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Hoje eu estava pensando em como foi, para mim, ficar grávida. Tive enjoos, como quase toda mulher, mas não vomitei nem sequer uma vez. Eu não conseguia nem pensar em comer em determinados restaurantes, nem mesmo em alguns onde, antes da gravidez, comia com água na boca. Comi picolé de limão adoidado. Dispensei 100% o presunto. Só de pensar em comer uma fatia já ficava enjoada. Parecia que eu passava o dia mareada, com sono e ansiosa para ver a barriga crescer, mas isso nos três primeiros meses, depois passou. Eu não fui daquelas cuja barriga apareceu logo. Levou um tempo, e acho que foi porque nunca tive a barriga chapada e eu era uma magra falsa. Lá pelo quinto mês é que a dona barriga apareceu mais exibida, pra frente, orgulhosa. Antes disso eu fazia questão de falar para todos que estava grávida: na farmácia, no supermercado, na fila do banco, na casa de sucos. Eu parecia uma doida, daquelas que a gente foge quando não tá nem pensa em ficar grávida ainda.

Mas eu era feliz. Gente, como eu fui feliz. Amei acompanhar o crescimento, os movimentos, cada ultrassom, cada consulta. As refeições pareciam rituais de oferendas ao bebê. Comi bem, comi saudável. Comi frutas como nunca antes, abusei das saladas, comi massas com gosto. A única coisa que não fiz foi exercícios. Caminhei de vez em quando, mas foi isso. Arrependo-me um pouco de não ter me dedicado a essa parte de mim porque percebo que o meu humor muda para melhor quando me exercito. Mas tudo bem. Eu estava trabalhando, morando na casa da minha mãe porque a minha casa estava em reforma e meu pai estava doente. Foi um período conturbado. Aliás, às vezes acho que não surtei em 2011 justamente porque estava grávida, por causa da promessa de um futuro que sempre sonhei em ter. Sério, lembro de desejar ser mãe desde que tinha, sei lá, uns 6 ou 7 anos. Eu assistia ao programa Juba e Lula e falava para os meus pais que queria ter 5 filhos, três meninos e duas meninas. Tipo, sem noção da realidade, mas tudo bem, era coisa de criança. Eu não quero mais ter 5 filhos, mas quero ter dois, e ler este post (aqui, ó, pode ir olhar que eu te espero aqui) me fez ter vontade de encomendar o segundo agora, hoje mesmo. Mas a realidade se impõe. Estou no primeiro ano do doutorado e talvez seja um pouco cedo na minha pesquisa para engravidar por causa dos hormônios da gravidez. Sim, porque eu estava feliz, mas eu também estava doida. Não conseguia me concentrar em nada, esquecia tudo, não conseguia fazer a mesma coisa por mais de uma hora. Quer dizer, acho que eu estava eufórica porque era a minha primeira gravidez, espero que na segunda eu consiga manter um controle maior sobre o meu cérebro.

Mas resolvi escrever este post até para registrar para mim mesma (porque blogs são como diários) como foi gostoso ficar grávida, como senti saudades da barriga depois que a Alis nasceu, como eu quero ter outro filho. Lavar as roupinhas, preparar o quarto, criar a coragem para mudar a vida para sempre: era um momento de grande curiosidade, mas eu não tinha medo (porque eu claramente não tinha ideia do que me aguardava hahaha), tinha sede de contar os segundos para a chegada da Alis. O que aconteceu depois eu falo neste post aqui, mas desde então já cruzamos oceanos (embora ainda não literalmente :)) e posso dizer com tranquilidade que a maternidade me faz feliz. E faz feliz porque quando tenho problemas – e na última semana um problema veio na velocidade de um trem na minha direção – abraço a Alis e me sinto segura. Não é estranho isso? Sou eu quem cuida dela, mas é ela quem me traz segurança. Acredito que seja porque nela mora tanta vida agora e no futuro, ainda vamos fazer tantas coisas juntas. Penso que a segurança que sinto tem a ver com essa promessa, com esse futuro todo desafiador que traz no bolso experiências e aprendizados. Sei que cada mulher é única e sabe o que quer pra si, mas a experiência da maternidade não é uma que precisa ficar presa à maternidade em si. Conheço mulheres que não têm filhos porque ainda não surgiu a oportunidade ou porque não querem mesmo, mas que cuidam dos amigos e dos parentes como se fossem seus. Essa experiência por si só já traz a segurança da promessa de algo maior.

edr

Todos precisam de um porto seguro (ou de vários): um lugar, uma experiência ou uma memória para onde podem voltar quando acontece uma turbulência. Eu acredito ter encontrado o meu.

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Arquivado em Alimentação & Saúde, Gravidez, Vida de mãe

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