Que Mãe é Essa?

Adorei esse texto escrito pela Regina Pundek (Diretora Pedagógica) e publicado no mês de maio no Jornal Mais Conteúdo, ele faz uma abordagem legal sobre a maternidade e seus novos desafios  e dentre os temas que o texto aborda fiquei pensando que precisamos estar preparados para lidar com esse novo modelo familiar que será muito, mas muito natural para os nossos filhos.. confere aí: coracao

“Esta semana ouvi do meu neto, que tem 3 anos: “Vó, eu nunca vi um pai que é menina… e nunca vi uma mãe que é menino…” Eu olhei pra ele e fiquei tentando contextualizar sua fala. Estávamos brincando de cuidar de um bebê, representado por um boneco, que supostamente era seu irmãozinho recém nascido. É uma brincadeira que inventamos nestes últimos dias e que facilita a elaboração dos sentimentos pelo nascimento do seu irmão. Ele era o pai e eu a mãe, mas era ele quem mais cuidava, quem acalentava, colocava e tirava do berço. Eu era quem estava sentada no sofá dando suporte. Papeis trocados? Era disso que ele estava falando? Ou essa era a minha percepção? Ele ouviu alguma história de adoção por homosexuais? Eu não consegui definir qual era a questão naquele momento.
Mas, lembro que lhe respondi: “Eu também nunca vi” e a brincadeira continuou em seu curso natural. Aquela era a verdade, afinal eu ainda não conheci pessoalmente um casal de homossexuais com filhos. O que, suponho, certamente acontecerá muito em breve, pois a humanidade vem avançando muito rapidamente nestas questões.
Depois eu me peguei diversas vezes pensando sobre o assunto, de maneira abrangente. Não especificamente sobre as famílias homoafetivas, mas sobre as famílias, independente de consanguinidade., Afinal, é sabido que tanto num casal de hetero bem como num formado por homossexuais, a função psíquica materna — mais próxima da criança e responsável por ensinar a linguagem e por cuidar e proteger com mais intensidade — e a paterna — que limita a proximidade da criança com a mãe e tem a função de determinar limites e leis – podem estar ou não presentes. Contudo, odesenvolvimento das crianças, tanto do ponto de vista psicológico como cognitivo, não depende do tipo de família na qual está inserida. Mas, depende sim, do vínculo que esses pais e mães vão estabelecer entre eles e a criança. Depende do afeto, do carinho e das regras. Essas coisas são as mais importantes para uma criança crescer saudável, muito além inclusive, do que a orientação sexual dos pais.
Eu me pus a refletir também sobre o que as crianças percebem de seus pais. Qual é o papel da mãe e do pai frente às demandas profissionais, pessoais e de tempo? Qual é sua importância na vida dos filhos? Quais são os valores que desejam passar aos filhos? De que forma acreditam estar fazendo isso? Fiquei pensando sobre os instintos humanos, sejam os femininos ou os masculinos. Quem é quem na família atualmente? Pensei sobre as co responsabilidades. Os pais são parceiros e cúmplices? Ou alguém está sobrecarregado? Vejo que pais e mães dessa nova família estão tentando encontrar um jeito de lidar com os filhos, com o trabalho, consigo próprios enquanto indivíduos. Não há fórmulas, mas grandes expectativas de acerto. Cada família do seu jeito, com as suas especificidades, com sua rotina e suas dificuldades.
Mas o que eu pensava mesmo era sobre o amor. O amor que a gente sente quando tem um filho. O amor que a gente sente quando pega no colo uma criança dormindo. Esse tal amor que tudo acomoda e resolve. Amor das disponibilidades, possibilidades, variedades. Amor que nada precisa provar, pois simplesmente existe. Esse amor incondicional, sem parâmetros, sem preconceitos e sem limites. Esse amor gigante, que transcende o corpo e vaza pelos poros, pelo olhar e pelo calar. Amor de alma. O dito amor de mãe. Mas de que mãe? Já não podemos nos apoiar naquele modelo antigo da mãe de tempo integral, com cheirinho de comidinha boa, abraço gordo e bobs nos cabelos, totalmente dedicada aos filhos e ao marido. Então esse tal amor de mãe já é outra coisa, não é mesmo? A mãe de hoje é outra, mas isso não a impede de transbordar de amor, de um amor que até dói, um amor que exige atitudes de firmeza e severidade.
Toda essa reflexão, trazida a tona pela dúvida sincera e filosófica do meu neto, me fez lembrar das águias. Conhecem a história? Bem, a águia faz ninho no alto de precipícios, entre rochas escarpadas, para proteger seus filhotes de predadores. Quando percebe que cresceram e que é chegada a hora da separação, a mãe-águia empurra insistentemente até a beira do ninho as pequenas aves, que resistem o quanto podem. Dizem os estudiosos em comportamento animal, que não é sem sofrimento, que ela dá o cutucão derradeiro. Então, os filhotes caem no abismo, abrem as asas e fazem seu primeiro voo. Os filhotes só voam porque a mãe os conhece e acredita na sua capacidade de voar. Este é o grande presente que ela lhes dá.
Que acima de tudo, acima de nossas dúvidas, de nossas vivências e modelos possamos assegurar o voo solo de cada um de nossos filhos. Que possam ser plenos e felizes. Então, nos sentiremos amplamente recompensados – este será o nosso presente.”

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