Confissão (a.k.a. um desabafo enorme)

Image

Foto da era pré-mãe, em viagem com o namorido

O Zygmunt Bauman, sociólogo fantástico de quem sou fãaa, chama as redes sociais de confessionários eletrônicos. Apropriado. Aqui abrimos nossos corações para conhecidos e estranhos na mesma medida e o fazemos, acho eu, na esperança de encontrar alguém que nos entenda e se identifique com o que estamos falando. Pois vou fazer uma confissão…

Na sexta-feira passada fui a um evento sem a Alis. Normal, né? Jantarzinho seguido de baladinha não é, na maior parte das vezes, ambiente para uma neném de um ano e cinco meses (mas quem sou eu pra julgar), então fomos apenas namorido e eu. Uma pessoa muito querida, de quem gosto muito, chegou ao jantar e me cumprimentou dizendo “oi, mamãe”. Na hora me senti estranha, como se ela não tivesse conseguido enxergar que eu sou mais que uma mãe. Sou tradutora, sou doutoranda, sou atleta preguiçosa (eu diria que sou atleta wannabe porque nunca fui de fato), sou viajante (pelo menos no desejo e menos na prática do que gostaria), sou cinéfila em sabático (por ser mãe, falta sim tempo pra ser cinéfila de verdade), sou cozinheira amadora, sou uma ex-viciada em revistas de moda em plena recuperação, sou editora, sou namorada, esposa e melhor amiga do meu marido, e tudo isso já existia antes de a Alis existir. Ela não enxergou isso tudo, mas viu a pessoa que ela conheceu porque fomos apresentadas enquanto eu ainda estava grávida.

Engravidei porque quis muito ser mãe. Eu costumava manter diários (que não eram diários, mas “semanários”) antes de a Alis nascer e li na semana passada o seguinte em um deles: “sonhei que estava grávida. Não vejo a hora de engravidar de fato”. Coisas do tipo escrevi mais de uma vez. Foi legal reler e perceber que talvez eu já fosse meio mãe antes de virar mãe. O desejo estava lá, pelo menos. Talvez porque a Alis nasceu disso eu meio que me coloque, mesmo sem perceber, muito mais como mãe do que como qualquer outra coisa, mas acho que quem me conheceu antes de eu engravidar sequer me visualizava como uma mãe competente em potencial. Não sei se passo uma imagem maternal quando estou sem a Alis, até acho que não. Talvez quem me conheça sem saber que a Alis existe nem imagine que sou mãe. Mas é fato que coloco a maternidade em um lugar importante na minha vida e provavelmente até na minha imagem. Minha foto de perfil no facebook é com ela (algo que eu achava meio brega antes de virar mãe, veja só como as coisas mudam). Tenho um blog que nasceu a partir dela. Minha pesquisa de doutorado é em feminismo e representações de maternidade. Uma das minhas melhores amigas, com quem mantenho este blog, é mãe da linda, fofa e adorável Valentina, e é com ela que mais converso. Acabamos falando mais sobre questões ligadas a maternidade do que qualquer outra coisa, mas é uma delícia. Damos muitas risadas, contamos histórias e compartilhamos insights. Quer dizer, a minha amiga meio que tinha razão em dizer “oi, mamãe”… é assim que ela me vê. E tudo bem, faz parte. Eu gosto de ser mãe. Não acredito em “vocação para ser mãe”, na “natureza da mulher de ser mãe”, muito menos naquele mito de que “mulher só fica completa quando vira mãe”. Não mesmo.  Tem quem goste, tem quem não goste, tem quem conviva bem com a ideia. Como tudo na vida, ser mãe tem seus altos e baixos, mas eu curto. Acho divertido. Acho trabalhoso. É desafiador. É um pé no saco quando você tem trabalhos pra entregar. É mágico-maravilhoso-indescritível quando você percebe que o seu filho ou filha está aprendendo as coisas do mundo. É amor hard-core. É um mix de tudo. E sim, eu sou mãe, mas o fato é que sou, na verdade, bem mais do que mãe. Eu sou eu, e ser mãe faz parte de mim. Talvez eu seja uma chata para algumas pessoas (não para essa amiga querida que me chamou de mamãe, eu sei que ela gosta de mim e eu dela), mas paciência. É impossível agradar a todos. Mas uma coisa eu garanto: sou divertida pacas, vemnimim que eu te mostro!

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Vida de mãe

2 Respostas para “Confissão (a.k.a. um desabafo enorme)

  1. “mas acho que quem me conheceu antes de eu engravidar sequer me visualizava como uma mãe competente em potencial” — Quanto a mim, acho que nunca pensei isso. Acho que pensei que ninguém nasce sabendo o que é ser mãe ou pai, mas que se aprende. E o que eu vejo é uma Melina que tem feito da relação a sua Alis de quase 1 ano e meio uma relação de parceria.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s