Arquivo do mês: setembro 2012

O que não te falam quando você está grávida

Acho que se fosse pra dizer qual foi o momento mais apavorante quando a Alis nasceu, diria que foi a caminhada – a longa e nervosa caminhada – do quarto da maternidade até o carro que nos levaria para casa. Aquele foi o momento em que a depressão pós-parto (sobre a qual eu nada sabia, tansinha) bateu. Eu me sentia mal por causa da cesárea, sentia enxaqueca que tive em função do problema que rolou com a epidural e estava certa de que não tinha a mínima ideia de como lidar com um neném (mas claro que eu sabia, só que a depressão pós-parto não me deixava enxergar a realidade). Eu já contei aqui um pouco sobre como foi a minha depressão pós-parto, e sei que ela foi levíssima porque não rejeitei a Alis, não fiquei incapaz de cuidar dela e não deixei de sentir amor por ela, só que não conseguia me sentir feliz. O que permeava cada célula minha era uma infindável melancolia e eu me perguntava, dia após dia, se eu algum dia seria feliz de novo. Ainda bem que isso tudo durou pouco. A Alis nasceu numa sexta-feira de carnaval (êlaiá), no domingo comecei a sentir essa melancolia e dois domingos depois eu já estava praticamente curada, então foram só duas semanas de muita choradeira, mas muita mesmo. Uma coisa que ajudou muito (além do meu marido, minha mãe, irmã e amigas) foi ler poesias inspiradoras, e uma delas é esta:

No te aflijas: la belleza volverá a encantarte con su gracia;

tu celda de tristeza se trocará en un jardín de rosas.

No te aflijas: tu mal será trocado en bien;

no te detengas en lo que te inquieta,

pues tu espíritu conocerá de nuevo la paz.

No te aflijas: una vez más la vida volverá a tu jardín

y pronto verás, ¡oh cantor de la noche!

una corona de rosas en tu frente.

No te aflijas si, algún día,

las esferas del cosmos no giran según tus deseos,

pues la rueda del tiempo no gira siempre en el mismo sentido.

No te aflijas si, por amor,

penetras en el desierto y las espinas te hieren.

No te aflijas, alma mía,

si el torrente del tiempo arrastra tu morada mortal,

pues tienes el amor para salvarte del naufragio.

No te aflijas si el viaje es amargo,

no te aflijas si la meta es invisible.

Todos los caminos conducen a una sola meta.

No te aflijas, Hafiz,

en tu rincón humilde en que te crees pobre,

abandonado a la noche oscura,

y piensa que aún te queda tu canción y tu amor.

– Hafiz

Essa poesia virou um mantra por uma semana inteira. Cada vez que chegava ao fundo do poço, eu parava e a lia mais uma vez.

Acho que fui bem ingênua durante a gravidez, pensando apenas no durante e nunca no depois. Eu imaginava a caminhada do quarto da maternidade para o carro como a mais feliz do mundo, mas a imaginação meio que parava aí. Eu não tinha noção de como seria a rotina, de que a amamentação poderia não ser um mar de rosas (e não foi no início), não sabia como reagiria ao choro da Alis e assim por diante, e bota diante nisso.

Então assim… se eu pudesse voltar no tempo  – o que eu não posso, então vale pelo menos dar a letra para as grávidas de plantão, – me prepararia melhor para o futuro. Leria sobre depressão pós-parto e conversaria com quem teve e quem não teve para entender que é uma questão hormonal e não a realidade, leria mais sobre amamentação e buscaria um serviço especializado (como o que existe na maternidade Carmela Dutra) para me preparar para essa função superimportante que pode ou não ser difícil no começo, e diria que é fundamental encontrar parceiros para essa jornada, tanto na forma de um marido quanto na forma de mãe, pai, amigas, amigos, babá, doula, o que for. Mas cercar-se de pessoas em quem você confia é uma forma maravilhosa de se permitir relaxar, porque realmente não é fácil dormir ou tomar banho se você não souber que alguém está de prontidão para atender seu baby recém-nascido (sim, eu era super noiada).

Grávidas, sintam-se suuuuper à vontade para perguntar o que quiserem. Eu, como mãe de primeira viagem, posso não ter todas as respostas, mas posso ajudá-las a chegar até elas. ;)

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Sábado de manhã

Não vou negar que o desejo de ficar na cama por mais uma ou dez horas é uma das coisas que mais mexe comigo desde que a Alis nasceu. É tudo muito tranquilo porque ela realmente é uma fofura de neném, chora pouco, ri à beça e tal, mas o sono de sábado… aaaah, o sono de sábado. Bom, ele não me pertence mais. Mas, mesmo assim, mesmo estando há mais de 7 meses sem dormir uma noite inteira, poucas coisas me deixam tão emocionada quanto vê-la dar risadas. A Alis sorri desde cedo, mas pequenas gargalhadas e risadas começaram há um mês e pouco, e é delicioso. Olha só como foi:

Aliás, contando mais um pouco sobre sábados e segundas, terças e por aí em diante, pedi demissão do meu trabalho. Isso é pano pra manga de outro post, que será escrito em breve (saio do meu emprego no dia 10 de outubro), mas já adianto que não dei conta, e entre colocar a Alis na escolinha em período integral ou sair do emprego, escolhi o segundo. Pensei durante um loooongo tempo nas duas opções, mas nunca tive dúvidas, só não queria tomar uma decisão precipitada, então dei esse tempo só para ter certeza que eu não estava sendo impulsiva. O bom é que cada dia que chego na empresa para trabalhar nesses dias de “pagamento de aviso prévio” fico mais certa da minha decisão. Como disse a Chiara neste post, tentar ser a mulher maravilha pode ser prejudicial à saúde. Eu pude fazer essa escolha, e sei que várias mulheres não podem, mas resolvi investir numa carreira alternativa, fora do molde “das 8h às 17h”. Eu espero não desencorajar as grávidas ou mães que ainda estão em licença-maternidade. Esta é uma experiência bem pessoal, e tem a ver com morar longe do trabalho, ter muito trabalho no trabalho e ter que levar trabalho pra casa todos os dias… deu pra perceber que a palavra “trabalho” impera por aqui, né? E não me entenda mal, eu curto trabalhar, e ainda mais no emprego que eu tenho/tinha, mas o momento é outro e estou tranquila com a decisão. Acho que cada um sabe o que é melhor pra si, e sei que do jeito que as coisas estavam só existiam duas opções: surtar ou virar uma péssima mãe e funcionária. Não preciso nem dizer que nenhum dos dois era viável dentro da minha cabeça, né? Então assim… vamos acompanhar o andamento das coisas, que já estão beeem mais leves desde que eu “pedi pra sair”, à lá Tropa de Elite. ;)

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#Fato

Eu só tenho uma filha, mas já ouvi dizer que quem tem o segundo filho já está bem vacinada e não cai no conto do vigário que diz que você tem que andar pra cima e pra baixo com o mundo dentro de uma bolsa sempre que vai sair de casa com o baby. Eu mesma acho que já estou ficando mais ligada nas necessidades da Alis e não levo mais uma enormidade de coisas a cada mini-saída.

O vídeo abaixo, que na verdade é uma propaganda de fraldas gringa, mostra bem isso, e eu curti. Quero ter mais um filho(a), então é bom ficar com a sensação de que a gente realmente pega a manha.

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Para descontrair

Em breve vou postar uma novidade no blog. É uma novidade ao mesmo tempo maravilhosa e tensa. Mas ok, vamo que vamo.

Achei essa imagem hoje e fui obrigada a postar hahaha

Poo-nami, numa brincadeira com tsunami (ai, eu acabei de explicar a foto, né? Sou muito sem-noção mesmo,  mas ok).

Boa sexta, povo!

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OMG…

OMG...

É ou não é a cena que uma mãe mais curte ver na vida???

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por | setembro 11, 2012 · 3:17 PM

Pensando [um pouquinho] em mim

Altamente #monotema no Instagram

Eu não acho que sou uma pessoa que esqueceu de si depois que a filha nasceu. Tenho bem menos tempo pra mim, isso é fato mais do que provado e comprovado, mas ainda me sinto bem “eu”. O que rola é que tenho que determinar bem os “tempos de Melina”. Faço, por exemplo, pilates duas vezes por semana, isso é sagrado. Minha mãe fica de babá e me divirto horrores tagarelando com a minha professora e colega de aula. E fazendo pilates, claro (haha). Para fazer as programações que costumava fazer com as amigas, carrego a Alis junto, o que significa que preciso tomar uma cerveja em vez de três (quem que estou tentando enganar? Em vez de cinco, prontofalei) e conversar menos e trocar mais fralda, amamentar, trocar roupa suja de xixi e cocô e contar SEMPRE com a boa vontade de alguma amiga bem disposta para cuidar um pouco da Alis para eu poder socializar com adultos. Quando quero pegar uma balada (uma desde que a Alis nasceu), peço pra minha mãe cuidar. Quando quero ir ao cinema (6 vezes desde que a Alis nasceu uhuuu!), também. Uma coisa que eu realmente não consegui me agilizar pra fazer – não me julguem por favoooor – foi ir à manicure. Não deu ainda, e não consigo nem explicar direito o porquê. Cada vez que olho para as minhas unhas eu penso “largada, você está largada”, mas me olho no espelho e vejo que consegui pelo menos me maquiar antes de sair de casa e penso “ok, nem tudo está perdido”.

Um fato bem real que talvez possa sinalizar que não tenho pensado muito em mim é que minhas fotos do Instagram são, de longe, muito mais da Alis do que de qualquer outro tema no mundo. Estou me considerando uma pessoa #monotema nessa rede social, mas poxa, olha a modelo que eu tenho, não é culpa minha.

Tempo pra ler também me falta, e essa é uma coisa que considero bem “tempo de Melina”, mas estou bem paciente nesse sentido. Sei que essa correria inicial é passageira e em breve a Alis estará no cantinho dela, brincando, e vou poder tirar uns minutinhos (nem que seja do ladinho dela – hmmm delícia!) pra ler.

Me falta tempo para viver do jeito que eu vivia na era pré-Alis, mas sinto que ainda sou bem “eu”, sinto que as mudanças que aconteceram em mim não foram no sentido de me anular como pessoa (é que eu escuto as pessoas falando isso às vezes, que as mães se esquecem em função dos filhos). Eu me sinto bem mais completa hoje, se é que isso conta. Me sinto realizada, focada, cansada às vezes, mas tranquila com a correria do momento porque sei que esse primeiro ano demanda um pouco mais de atenção constante porque os bebês ainda não caminham, falam e tal.

Os produtores da pequena Alis, responsável por taaaantas mudanças :)

O que sei é que, se existe essa anulação de si mesma, ela é natural, não é uma coisa intencional, e certamente pode ser bem temporária. Nenéns não fazem nada sozinhos (a não ser serem absolutamente deliciosos), então você meio que tem que se doar 110% e não se priorizar por um determinado período. O importante, eu acho, é manter em mente que você não pode se esquecer inteiramente, só um pouco, só aparentemente, só o suficiente para ser uma boa mãe, uma boa esposa, uma boa pessoa, uma boa profissional. Cada um sabe o quanto pode se doar para não se prejudicar, então saber essa medida é a chave. Mas essa é só a minha experiência e opinião, e isso sim cada um tem a sua.

Só sei que tá tudo muito gostoso nessa história de ser mãe. Trabalhoso, sim, mas muito massa. Certamente é um período de grandes autodescobertas!

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