Ansiedade de separação… por parte da mãe!

Estou naquele momento tenso do pós-parto, aquele momento cheio de incertezas e saudades por antecipação. Volto a trabalhar em menos de duas semanas e meu pobre coraçãozinho já está em frangalhos. Cada vez que olho pra Alis e percebo o quanto amo esses dias de licença-maternidade, em que ficamos grudadinhas o tempo todo, sinto uma pontada do lado esquerdo porque meu cérebro insiste em lembrar que logo a correria profissional vai me separar fisicamente dela. No começo, assim que o bebê nasce, a gente quer que cresça logo para o nosso medo passar, medo de acordar e o bebê não estar respirando (até hoje não conheci uma mãe que não tenha feito o teste do dedinho embaixo do nariz para se tranquilizar), medo de não saber lidar com o excesso de sono, medo de não dar conta da mega responsa que é cuidar de um recém-nascido… mas depois que o tempo passa e a gente percebe que dá, sim, conta, já é hora de voltar a trabalhar.Uma semana depois do parto eu estava me coçando para trabalhar. Sentia falta do burburinho, da correria, da responsabilidade e até mesmo da rotina (como uma taurina über desorganizada na vida real, a rotina “me organiza”). Mas como diz a minha mãe, minha santa mãe que tem dado uma senhora ajuda desde que a Alis nasceu, a gente se acostuma com tudo, e em modo the flash. Em pouco tempo já não sentia saudades do trabalho e sim um prazer enorme de ter o privilégio de ficar só de curtição com a pequena.

Mas a dor… a dor da “quase separação” é também quase física, dor de uma pessoa que sabe que vai magoar a pessoa que mais ama no mundo (e é amada por ela na mesma intensidade). É comigo que ela passa todos os dias desde que saiu de mim, eu a alimento, troco a maior parte das fraldas… eu a fiz, oras bolas! O pai dela teve lá sua participação na criação, mas depois disso cada celulazinha dela foi reproduzida dentro de mim, com a ajuda do meu organismo, no calor do meu útero.

O som mais feliz que escutei em toda a minha vida, e isso não é brincadeira, foi o primeiro choro da Alis. O parto é tão surreal que parece que o tempo para, que nada daquilo é real, mas talvez isso seja justamente a realidade, aquela sensação de amor profundo, sem qualquer tipo de julgamento ou racionalidade. Depois vêm as preocupações: amamentação, falta de sono, dores pós-parto, incertezas. Mas ali, naqueles poucos segundos, parece que a gente coloca a cabeça fora d’água e respira o ar mais puro que existe. E essa sensação serve de alimento para a alma para o resto da vida.

Agora, a menos de duas semanas para o meu retorno, consulto o meu instinto e percebo que ele quer me deixar em casa, com a Alis, até que ela esteja pronta para a nossa separação. Quem que eu estou tentando enganar? Até que eu esteja pronta. Não estou nadinha pronta, mas não tenho escolha. Fico tentando me convencer da verdade: é bom para a minha carreira não parar de trabalhar. É bom que a Alis já vá se acostumando com a minha ausência temporária desde cedo. É bom sair de casa e me relacionar com colegas. É bom ter rotina. Pareço uma vitrola mental, repetindo ad infinitum “os por quês”, as vantagens da nossa separação.

Enfim, a sociedade não está preparada para as nossas necessidades emocionais e para as necessidades físicas do bebê. Alguns países dão licença-maternidade de até 480 dias! Licença remunerada e compartilhada pela mãe e pelo pai. A orientação da Organização Mundial da Saúde é de amamentar exclusivamente até os 6 meses e, a partir daí, complementar com outros alimentos e manter a amamentação até a criança completar dois anos. A licença-maternidade no Brasil é de 4 meses, o que já inviabiliza, ou pelo menos dificulta bastante, o plano do aleitamento materno exclusivo.

Mas assim… por trás de todo esse “nhé nhé nhé”, “eu sofro” e tal, existe uma sensação de que nós duas vamos sobreviver e curtir muito, muito, muito tudo o que está por vir. Será um aprendizado para nós duas. Da minha parte, vou ter que aprender a sobreviver sem ela por algumas horas todos os dias da semana. Vou curtir ainda mais intensamente todos os momentos que passarmos juntas. Da parte dela, a mesma coisa, mas com a vantagem de poder abrir os pulmões com toda a honestidade que nenéns têm a liberdade de fazer para vociferar a saudade. Se eu tentar fazer o mesmo, provavelmente vou assustar muito os meus colegas e talvez ainda receba, de quebra, uma temida carta de demissão.

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