Arquivo do mês: abril 2012

Pais como Segundo Sexo na Maternidade/Paternidade

Encontrei um artigo interessante no blog Motherlode, do New York Times, onde um pai reclama as pitangas e se questiona se os homens são, no quesito paternidade (até a palavra favorece o sexo deles), o Segundo Sexo.

Achei interessante a reflexão porque ele levanta a questão de que muitos pais “botam a mão na massa” no mesmo nível que as mães, mas não pude deixar de sentir no tom dele um certo recalque. Os homens já são super favorecidos na nossa sociedade: ganham mais em vagas também ocupadas por mulheres, sempre tiveram direito de voto e quando escolhem ficar em casa para cuidar dos filhos é justamente isso, uma escolha, enquanto mulheres até muito pouco tempo atrás (pouco tempo mesmo) nem tinham a escolha de não ficar em casa. Até linguisticamente eles são colocados em primeiro lugar, poxa, no tal do machismo linguístico, onde tudo é colocado no masculino se um dos elementos for “menino”. Aliás, essa reflexão toda é apenas para o mundo ocidental, e nem todo ele, claro. Generalizações são ferramentas de raciocínio prático, então peço para a leitora ou o leitor ter isso em mente.

O autor do artigo reclama que quando ele e a esposa levam o filho ao médico, este se dirige à sua mulher e não a ele. Quando a babá entra em contato para avisar que algo está errado, fala com a esposa. Quando os professores da creche pedem suprimentos, pedem também para a esposa.

Eu acho ótimo (!!!) que os homens dividam as tarefas de criação dos filhos com as mulheres, é mais do que essencial, e é bom para os pais e para os filhos, mas me parece um pouco exagerada a reação dele. Por favor, né? Quer ser ouvido pelo médico? Fale mais alto, explique que você cuida do seu filho tanto quanto a sua mulher em vez de reclamar num artigo como você é incompreendido pelo mundo. Nós mulheres já tivemos que lutar pelo nosso espaço em territórios que são tradicionalmente “deles” (e o fazemos todos os dias), e o espaço da maternidade é um espaço que, culturalmente, é nosso. Talvez não seja “natural”, “da nossa natureza”, talvez seja mesmo uma construção social, mas é um espaço que há tempos é nosso. A maior parte das mulheres desempenha esse papel com alguma naturalidade, tranquilidade, mesmo que isso só venha com o tempo (o que dá a dica de que não é tão “natural” assim, talvez? Não sei). Culturalmente, esse papel de Primeiro Sexo no cuidado dos filhos meio que nos pertence, da mesma forma que um dia o papel de “trabalhador” pertenceu apenas ao homem, mas as mulheres se impuseram e foram atrás daquilo que queriam, e os homens podem fazer o mesmo.

Talvez o autor, em reclamar, esteja fazendo a parte dele em busca de reconhecimento, mas eu, como mulher, identifiquei (e isso é interpretação minha, claro) um tom de criança pequena fazendo manha porque a professora não deu bola pra redação que ele leu em classe.

Nós queimamos sutiãs, homem, e continuamos sendo mães, muitas vezes trabalhando, cuidando dos filhos e de casa ao mesmo tempo, então faça-nos o favor de pedir para entrar no nosso grupinho com mais atitude e menos nhé nhé nhé. Pega e entra, ajuda, assume. Nós mulheres não somos mesquinhas, nosso grupo está aberto a novos membros, sejam eles do primeiro ou do segundo sexo.

Um dia nós mulheres fizemos isto!

 

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Arquivado em Gravidez, Vida de mãe

Emergência

Na última sexta – feira a Valentina começou com uma tosse, mas percebi que ela estava mais quietinha. Antes de dormir ela tomou a mamadeira e começou a tossir em seguida… vomitou tudo. Bem, no sábado de manha ela acordou com tosse e acabou vomitando a mamadeira novamente. Ela estava visivelmente abatida e não pensei duas vezes, arrumei a bolsa dela, liguei para a Vovó e fomos para a emergência de uma clinica aqui em Fpolis/SC. Gostei do atendimento na Clínica, a médica poderia ser mais atenciosa, mas foi bom porque me deram as amostras de todos os remédios.

Bem se eu estivesse gripada provavelmente teria feito um chazinho, tirado uma soneca, assoado o nariz e tudo bem, mas com os babies não dá para bobear. Eles são pequenos e indefesos e não conseguem expressar o que sentem.

Quando chegamos na clinica a Valentina mesmo abatida distribuía sorrisinhos para as funcionárias. Logo fomos chamadas e a médica confirmou que era uma gripona + nascimento dos dentinhos com direito a febre, catarro e muito repouso. Antes de sair da clínica eles já medicaram ela e como a fome era grande a Valentina queria dose extra de Tylenol, ficou abrindo a boca para a enfermeira dar mais… é uma figura!

Fazia tempo que eu não acordava várias vezes durante a noite. Foi como voltar ao passado e a paranoia porque a médica disse a frase mágica:

“Mamãe, cuidado com o catarro… deixa ela dormindo de lado para evitar problemas”. Tradução: “Mamãe, fique alerta para o seu bebe não se engasgar”.

Alguém pode me dizer porque as pessoas não conseguem ser objetivas? O fato é que voltei a ser paranoica por uns dias, a cada suspiro da Valentina eu saia correndo para o quarto dela. Tadinha! Deveria ser proibido transmitir o vírus da gripe para os pequenos. O que eu queria mesmo era fazer uma transferência de catarro….. achou nojento? Espere seu baby ficar gripado e me conte se tem algo mais agoniante.

Bem já se passaram 5 dias e ela ainda não está 100%, mas está se alimentando bem e isso me deixa tranquila. Aproveitei esses dias para ficar grudada na Valentina…. dormimos juntas, fiquei com ela no colo por horas, assistimos vários videos e foi ótimo não me sentir culpada por mimar ela.

Repouso na cama da mamãe

Repouso na cama da mamãe

Qualquer novidade conto para vocês :)

Dicas: Agora vou manter em casa uma farmácia infantil para emergências.

A médica receitou Tylenol Baby para a febre, Fluimucil – Xarope expectorante, Sorine Infantil para o nariz

A pediatra indicou abrir a cápsula e esfregar o pó na gengiva ou diluir 1 un. em 10ml de água para aliviar a dor dos dentinhos

A pediatra indicou abrir a cápsula e esfregar o pó na gengiva ou diluir 1 un. em 10ml de água para aliviar a dor dos dentinhos

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Beijo!

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Produtividade durante a licença-maternidade

Sabe quando você faz planos? Então. Eu fiz planos pra minha licença-maternidade. Pensei assim: em cinco meses eu posso REVOLUCIONAR a minha vida. Posso inventar um negócio que vai me deixar rica, estudar feito uma louca para a prova do doutorado, escrever o MELHOR projeto que o mundo já viu, ler todos os livros cabeções que eu comecei e não terminei, escrever um livro, escalar o monte Everest…

Mas aaaah, a realidade se impõe. Não é que não sobre tempo, o tempo até que está “on my side” (como já diziam os Rolling Stones), mas me falta disciplina. Dois meses e meio já se passaram desde que a licença começou, só me faltam mais 10 semanas!!! A Alis demanda bastante, mas tem um sem número de coisas produtivas que posso fazer com ela, como ler, escrever (é um malabarismo possível!), assistir a aulas de teoria literária no Yale Open Courses, essas coisas.

Mas assim, o que eu aprendi de fato nesse meio tempo? Aprendi a fazer muffins! Eles ficam deliciosos, mas não colaboram com o meu plano de ganhar mais dinheiro, entrar no doutorado e emagrecer (já falei aqui que tive um bebê, né? Pois é.). Faço aqui, publicamente, um compromisso de mudar este cenário. De amanhã em diante (ah, me dá uma folga hoje, tá?) prometo manter o foco e ser produtiva por pelo menos três horas por dia. Tá, duas e meia e não se fala mais nisso!

Muffin de baunilha com nuttella

Alguma leitora aí fez coisas produtivas durante a licença-maternidade? Compartilhe a “receita”, por favor!!

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Amamentação: Parte 1

Hummm, como será que devo começar esse post? Aliás, acho que demorei muito para voltar a escrever aqui porque eu já tinha definido que o tema seria: Amamentação.

Vamos lá!

Quando eu estava na maternidade, assim que o efeito da anestesia passou fui levada para o quarto e ai, nesse momento, fui apresentada ao processo de amamentação. Foi fantástico ver o instinto e a vontade que a Valentina tinha para mamar. A pega dela era perfeita, as enfermeiras elogiaram imediatamente. Eu senti uma “agonia” com aquela sucção e a impressão que tive é que não estava saindo nadinha, mas o que importava naquele exato momento era o estimulo para que o leite efetivamente “descesse”. Os bebes nascem com uma reserva e por isso não sentem tanta fone nas primeiras 48hs, justamente o período em que você está na maternidade e tem a impressão que é tudo muito fácil e simples. Momentos antes de ir para casa percebi que a postura da Valentina em relação a fome já era outra. Ela começou a querer mamar a todo o instante e comecei a ficar cansada, eu não conseguia me recuperar e lá estava ela faminta novamente. Quando chegamos em casa ela continuou incansavelmente no processo de querer mamar e nada do leite.

Bem , nessa altura do campeonato meu peito começou a ficar sensível, vermelho e finalmente machucado. Eu fiquei com uma ferida nos dois mamilos, mas um era significativamente pior. Isso aconteceu na quinta- feira de noite e a Valentina nasceu na terça. Eu olhava para ela e pensava… “tem alguma coisa errada, não pode ser assim dolorido amamentar”. Foi então que eu pedi para o meu marido sair para comprar uma lata de fórmula. Eu estava no meu limite e sabia que seria outra noite de fome intensa, mas ou eu morria de dor, ou ela brincava de mamar, porque leite que era bom eu não tinha. Resolvemos dar a mamadeira e ela mamou tudinho e capotou, a coitada estava faminta. Eu finalmente dormi.

No dia seguinte quando acordei e olhei meu peito ele estava enorme, quem me conhece sabe que ele já é enorme e estava o dobro, uma coisa assustadora. O leite começou a descer, mas eu não conseguia amamentar porque meus machucados estavam sangrando, uma coisa assustadora.

Bem, foi nesse momento que começaram as mandingas populares.. rsss. Peguei uma bombinha emprestada, mas só saiu sangue do meu peito.. foi deprimente. Então resolvi seguir as crenças e fui tomar um banho quente para estimular o leite a descer… nada feito. Então começou uma sessão de massagem e nada do leite sair. Meu peito estava começando a ficar muito duro e vermelho e foi ai que comecei a me apavorar com a ideia de ter mastite. A melhor coisa que aconteceu foi a ligação de uma amiga que indicou o banco de leite da Maternidade Carmela Dutra – Fpolis/SC. Quando eu decidi ir eram 18:30hs e eles fechavam ás 19hs, mas a anja que me atendeu deve ter percebido o desespero na minha voz e disse para eu ir rápido que ela me aguardava.

Fui chorando de casa até a maternidade, minha amiga que estava dirigindo já não sabia mais o que me falar, eu passei 4 meses de repouso para evitar um parto prematuro e tudo o que eu mais queria era ficar com a minha filha, mas não eu tinha que tirar aquele leite de dentro de mim. O fato é que nos sentimos incompetentes por não conseguir amamentar e as pessoas no geral não ajudam e pior… fazem você se sentir mais incompetente ainda. Poxa!! Você acabou de ter bebe, é um bum hormonal federal…. foram 4 meses tomando progesterona que é o hormônio mãe da gravidez e ai de um dia para o outro tudo muda radicalmente e acredite, isso não é drama.

Não espere que as pessoas te liguem e perguntem se está tudo bem, se você está sentindo dor, se você dormiu, comeu… o que você vai escutar é “E ai?? O bebe mamou? Ele está pegando direitinho? Ele mama bem? Ahhhhh!!!! A vida pós –parto se resume a isso inicialmente: Amamentar .

Continuando…. na maternidade a enfermeira anja me deu a “feliz” noticia de que eu tinha feito tudo errado. Eu tinha leite, mas meu leite não saia devido aos edemas no meu seio, eu estava retendo liquido e isso impedia a saída do leite, ou seja, eu não poderia ter passado o dia estimulando o leite descer. Depois da bronca começou a tortura, olha eu chego a ficar com ataque cárdia de lembrar a dor e o sofrimento emocional e físico que eu senti. A anja me ensinou a fazer ordenha manual, quando ela fazia saia muito leite, mas quando eu fazia não saia quase nada. Foram três horas de ordenha manual, a enfermeira de um lado e minha amiga de outro e a única coisa que eu conseguia fazer era chorar, eu acho que o que eu derramei de lágrimas dava para alimentar a maternidade inteira. Foi um processo muito dolorido e difícil para mim e a enfermeira me disse que a maioria das mulheres esquecem a dor do parto, mas a dor e os problemas iniciais da amamentação jamais são esquecidos.

Loucura, loucura…. se você tem leite é impossível não fazer nada… é preciso tirar ele de dentro de você de forma natural (amamentação) ou ordenha manual/bombinha.

Questionei a enfermeira sob a possibilidade de não querer mais amamentar porque naquele momento eu achei que não iria sobreviver a tanta dor, mas eu estava ali no antro da amamentação e a anja só me dava forças e dizia que em alguns dias estaria tudo bem e eu pensava.. Dias??? Eu só conseguia pensar em desistir porque para mim aquilo estava longe de ser normal e natural.

Outra coisa que chamou minha atenção foram os cartazes fixados das paredes com as fotos das globais lindas e maravilhosas amamentando. Que absurdo!! E eu lá…toda acabada, dois dias depois do parto, mega inchada e sem Photoshop.

Depois que a tortura acabou a enfermeira me indicou uma pomada para as rachaduras e orientou que eu não ingerisse líquidos e pediu para que eu fizesse ordenha manual de duas em duas horas e compressa de gelo. Oi?? Eu acabei de ter bebe e estou morta! Eu estava literalmente acabada.

Quando cheguei em casa fui direto para a internet procurar o nome do remédio que eu deveria tomar para parar com a produção de leite, gente eu estava em pânico! Passei a madrugada fazendo ordenha e gelo porque eu

Aprendendo a mamar :)

Aprendendo a mamar :)

não poderia imaginar passar por todo aquele sofrimento novamente e sim a Valentina tomou mamadeira com fórmula e nada de cara feia leitoras. Agradeçam que as fórmulas existem pois um dia você poderá precisar delas. O fato da Valentina mamar na mamadeira meu deu forças e uma certa paz de espirito pois eu sabia que minha filha estava sendo alimentada. No dia seguinte de manha resolvi tentar amamentar e consegui durante um tempo. Eu sentia muita, mas muita dor. De  tarde voltei para  a Maternidade para uma reavaliação no meu seio e já estava bem melhor, fui orientada a levar a Valentina no dia seguinte para que as enfermeiras me ensinassem amamentar corretamente.

Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito, a Valentina pegou o peito direitinho e mamou durante 40 minutos sem parar. Quando o bebe faz a pega corretamente você não sente tanta dor, mesmo estando com o mamilo machucado.

A partir desse dia eu e a amamentação viramos amigas inseparáveis e a Valentina amou é claro e eu… mais ou menos! Amamentei durante 5 meses e sempre utilizei mamadeira como apoio. Nesse período aprendi algumas coisas e cheguei as minhas conclusões e prometo mais uns dois posts sobre o assunto.

Momento: barriguinha cheia

Momento: barriguinha cheia

Essa é definitivamente uma questão muito pessoal, nesse sentido gostaria de alertar nossas leitoras que cada um tem sua experiência e percepções sobre o tema abordado.

Dicas:

Você não tem leite:

– tome banhos quentes;

– use bolsa térmica;

– faça massagem nos seios para estimular;

– abuse dos líquidos.

Você tem muito leite e quer diminuir a produção:

– não abuse dos líquidos;

-depois de amamentar coloque compressa de gelo nos seios;

– fique longe do vapor quente do banho;

– use um sutiã firme que evitem a movimentação dos seios;

– doe seu leite para os bancos de leite.

*Caso você tenha dificuldades no processo de amamentação busque ajuda, isso é fundamental para o sucesso do processo e para sua paz de espirito. O pediatra de uma amiga disse que “amamentar é como sexo… tem que ser bom para os dois envolvidos”. Lembre-se de investir em sutiãs próprios para amamentação, absorvente para os seios, pomada especial para hidratar o mamilo, almofada de apoio para amamentar,  blusas e vestidos com abertura frontal e tampões de ouvido para não escutar as besteiras que as pessoas falam. Em alguns dias você estará expert e vai dair pela casa amamentando e falando no telefone ao mesmo tempo, usando o comutador, comendo.. rss.  Siga seu instinto maternal e não encare a mamadeira como uma vilã pois ela pode ser sua aliada na jornada de amamentação.

Beijos!

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Um post que era sobre paternidade acidental e virou uma reflexão sobre aleitamento materno

Eu adoro a Tracy Hogg, a encantadora de bebês. Ela dá dicas maravilhosas que ajudam muito na organização da rotina com o neném. Só tenho um problema com ela: o uso do termo “paternidade acidental”. Termo pesado esse, Tracy! O que quer que você faça, se não estiver dentro das orientações dela, é paternidade acidental. Se você amamentar deitada à noite, é paternidade acidental. Se pegar no colo por muito tempo, é paternidade acidental. Mas assim… sou obrigada a concordar pelo menos em parte com ela. A definição é mais ou menos a seguinte:

Chamamos de paternidade acidental tudo aquilo que fazemos na hora do desespero, quando não sabemos o que fazer, mas no fundo sabemos que não é a coisa certa a ser feita. Exemplos: sair com o bebê se ele não para de chorar, andar com ele no colo pela casa, colocar para dormir na cama dos pais etc. Qualquer decisão não planejada e tomada apenas porque o problema é resolvido de forma mais rápida é chamada de paternidade acidental. Se você não deseja prolongar esse tipo de situação, comece como deseja continuar.

E tem horas que bate um desespero mesmo. Alguns choros são fáceis de identificar, como o da fome, mas cólica, desconforto, cansaço… todos eles se parecem. A minha tendência é oferecer o seio: MEGA PATERNIDADE ACIDENTAL. Tenho trabalhado esse defeito meu. Hoje mesmo a Alis começou a chorar desesperadamente e eu pensei em oferecer o seio. Meu cérebro dizia “é cólica, lide com a cólica” e meu instinto de proteção dizia “faça esse neném parar de chorar, ofereça o seio”. Não ofereci. Fiz aquele exercício de bicicleta com as perninhas e em 5 minutos ela soltou o maior cocô da história! hahahaha

Acho que essa mania de oferecer o seio veio do meu “problema” com o aleitamento materno. Todas as informações que eu já ouvi e li até hoje sobre aleitamento são, em algum nível, conflitantes, mas uma é meio que universal (menos com a Tracy): deixe o neném mamar sempre que quiser para aumentar a sua produção de leite. Quem decide o quanto de leite é necessário é o bebê e não o horário que você estabelece. Mas não com a Tracy. Ela não pensou, enquanto escrevia o livro, que “ah, a filha da Melina parece que precisa ficar 234.999 horas grudada no seio da mãe para se sentir satisfeita, às vezes nem assim, então o EASY de três em três horas terá que ser reescrito para de meia em meia hora”.

Então eu passo pela vida de mãe com essa sombra, a do aleitamento materno que não teve 100% de sucesso. Ontem mesmo eu estava conversando com uma pessoa que, quando eu disse que estava amamentando e complementando, falou “ah”, fazendo uma cara de pena, como se eu fosse uma monstra por fazer isso com a minha filha, e depois disse “a minha cunhada amamentou até o sexto mês, o neném dela é bem gordo, bem saudável, só com leite do seio”. Pooooxa, parabéns pra ela! Eu nem queria amamentar, sabe? Fico com a minha filha colada no meu seio 50.000 horas por dia porque eu não quero amamentar, porque eu gosto de não fazer mais nada durante o dia… não… eu me esforço. Tomo aveia, chá materno da Weleda, como frutas, verduras, sopa (tá quente pra burro, só pra destacar…), tomo uns 4 litros de água por dia, deixo a Alis mamar sempre que ela pede.  Eu gosto muito e quero (!!) amamentar. Se isso é paternidade acidental, eu não sei o que é paternidade intencional. Aliáaas, detalhe importante é que eu também escuto comentários do tipo “se você deixar essa criança mamar sempre que quiser, vai estragar a menina”. Não dá pra vencer, né? Ou você tá fazendo errado ou tá fazendo errado, algumas pessoas vibram com a crítica não-pensada. É intencional o meu esforço, mas não sei se estou estressada porque minha casa está em reforma há meses e eu estou morando com a minha mãe (que me dá uma força danada), porque meu pai está com câncer, porque o próprio leite parece não satisfazer, sei lá, mas o NAN é meu parceiro.

Eu tenho a melhor das intenções, mas como mãe a gente erra mesmo sem saber que está errando, e acho que tem que errar mesmo. Tentar ser perfeita é uma tarefa para pessoas neuróticas, melhor ficar longe desse estilo de vida. A gente tenta implementar o EASY, a gente dá o melhor de si, tenta o aleitamento materno literalmente até a última gota, mas paciência… amamentação ainda é menos importante, na minha opinião, do que a educação que você dá para o seu filho no decorrer da vida. Talvez eu não consiga amamentar até o sexto mês (exclusivamente já era porque a Alis toma NAN desde a primeira semana de vida, quando decidi que não ia deixá-la passar fome e que eu precisava dormir para poder cuidar dela!), mas pode ter certeza que não tem nada de paternidade acidental nessa história.

Mostre-me uma mãe que tenta amamentar e, depois de todos os percalços, complementa com mamadeira e eu te mostro uma mãe que ama o neném dela mais que tudo nesse mundo porque não quer que seu filho ou filha passe fome.

E um beijo TODO especial para o amor da minha vida, a minha irmã, que foi alimentada com fórmula e tem sido muito mais saudável que eu nos últimos 30 anos!

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Madrugadas em claro

Em um mês e meio a minha delicinha de filha me deu a chance de dormir a noite inteira em apenas três ocasiões. Não estou reclamando, apenas constatando e rezando todos os dias para que o acontecimento se repita (pleeease, é tão boooom). Mas assim… a gente tem que produzir, né? Eu sou incapaz de acordar às 4 da manhã para amamentar e me manter acordada por livre e espontânea pressão, então esse é um momento da Alis. Dela com o seio. Durante o dia eu brinco, eu a mantenho acordada, pego na mãozinha e tal, mas na alta madrugada é com ela. Eu, pra poder fazer com que ela tenha esse momento, tenho que me concentrar em me manter acordada, e por isso tenho que beijar os pés da pessoa que inventou o tablet. Como estou privada de sono vou me contentar em dizer isso… procurar na internet quem exatamente inventou seria trabalho demais.

Tablet, te amo, seu lindo! É por causa de você que a Alis consegue seguir tranquila com o que ela tem que fazer na madrugada. Os elementos salvadores da pátria na calada da noite são…

Facebookson, o amigo da madrugada

Facebook: para começar uma madrugada feliz

A primeira constatação que pode ser feita é que acessar o Facebook às 7 da manhã depois de você ter visto todas as atualizações às 4:30 não serve pra nada. Não acontece nada de diferente do mundo entre 4:30h e 7:00h. Ninguém vive nesse intervalo de tempo. Mas de madrugada o Facebookson é uma distraçãozinha legal. A gente vê as besteiras que os outros postaram na noite anterior, dá uma conferida nas notícias que os jornais já divulgaram (a imprensa começa cedo, ela abre um portal para o futuro) e manda uns recados sem acento pras amigas usando o teclado medonho do tablet.

Google Feed Reader: o ouro!

Acompanho cerca de 100 blogs, pra mais ou pra menos, nunca contei, mas o Google Reader é a perolazinha da noite, a segunda coisa mais legal de acordar na madrugada (a primeira é pegar a Alis no colo e matar as saudades cheirando o cangote dela!). Entre os blogs mais legais que me mantêm acordada estão:

The Everyewhereist

TOP 1 – The Everywhereist  www.everywhereist.com A autora é Geraldine. Ela é casada com o Rand, que viaja pra cima e pra baixo, então ela acaba viajando junto com ele e contando detalhe por detalhe. Muito boa, muito irônica e ela faz com que a gente viaje com eles.

Babble - Baby's First Year

TOP 2 – Baby’s First Yearblogs.babble.com/babys-first-year-blog Como uma mãe de primeira viagem, nada como blogs de mães de primeira ou várias viagens para eu me orientar no assunto. É sempre o segundo feed que leio no Google Reader. Ler os relatos das mães dá uma luz e faz com que eu não me sinta sozinha na madrugada!

Heather e seu Dooce.com

TOP 3 – Dooce – www.dooce.com Heather B. Armstrong, a designer/publicitária demitida por escrever sobre trabalho tornada blogueira de sucesso é sempre uma boa leitura. Ela é mãe de 2 meninas, tem um senso de humor superácido e tem um dom pra decoração e moda que não é brincadeira.

Momento cabeção no Psychology Today

TOP 4 – Psychology Today – www.psychologytoday.com – Eu me encarno numas leituras sobre psicologia, sobre publicações na área e reflexões de psicólogos e psicanalistas sobre questões cotidianas, e esse site é excelente nesse sentido. O site tem váaarios colunistas e todos escrevem textos muito bons de ler.

O esqueeeema

TOP 5 – O Esquema – www.oesquema.com.br – Site bem legal sobre cultura pop, música e etc. Leiturinha leve pra ficar ligada no que está acontecendo no mundo do rock, do pop e do humor negro.

 E, quando a internet não satisfaz, Mahjong Titans!

Iááá!

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Cada um tem seu tempo

Quando a Valentina nasceu eu achava ela muito pequena, frágil e definitivamente indefesa. Ela nasceu com 3.150kg e 47cm, na realidade ela parecia pequenina, mas estava na média. Minha mãe sempre diz: “os bebes são fortes”, no entanto, sabemos que a imunidade deles é baixa e que as primeiras doses das vacinas terminam com 6 meses.

Bem, a pergunta é: Com quanto tempo posso sair de casa com meu bebe? A resposta…. não existe!

Cada médico, mãe, avós, amigas, tias, chatas de plantão tem uma opinião. O mais importante é você respeitar seu sentimento, aquele sexto sentido sabe?

Então, conheço mães que se sentiram super seguras em sair de casa quando o bebe tinha uma semana, outras um mês e outras mais do que um mês. Meu pai é médico, e sempre me disse que sair de manhã para dar uma voltinha no sol não fazia mal a ninguém, mas que eu deveria evitar locais com muita gente, evitar lugares fechados e contato com crianças doentes.

Na minha família, digamos que é uma “tradição” sair com os bebes após um mês e foi esse período que escolhi como base para a Valentina. Tem isso também, é preciso respeitar aquilo que você acredita como “verdade absoluta”. É claro que não foram 30 dias corridos, não precisa também ser assim.. rsss.

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Agora, vou te contar uma coisa… que gente chata!! Como as pessoas tem prazer de se meter na vida dos outros. Respeite o seu tempo e principalmente o do bebe, não utilize ele como um troféu que você precisa sair por ai mostrando para todo mundo. Eu pensava no fato de ela estar na minha barriga e de repente… luz, câmera e ação.

E lembre-se que depois dos passeios quem volta para casa e fica com o bebe é você e os outros vão para suas casinhas e dormem a noite toda.

Ufa, desabafei :))

Beijos!

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